terça-feira, 31 de maio de 2011

Política, Educação e atitude

14/04/2011

POLÍTICA, EDUCAÇÃO E A TOMADA DE ATITUDE

É recorrente, quando se apela para uma mudança de atitude em uma sociedade, ouvir discursos que acentua o seguinte dizer: É impossível mudar isto! Para se mudar isto ou aquilo deve ser um processo colectivo e não somente a partir de um ou dois indivíduos.
Realmente. A união faz a força1. No entanto, se os jovens (poucos e quase algumas dezenas) tivessem esperado de mobilizar outros para lutarem por nosso Moçambique antes colonizado, até aqui viveríamos sob a colonização administrativa e política portuguesa. Ás vezes o povo é tomado pela estesia ou euforia da liberdade perante a possibilidade em acto, vendo as coisas a acontecerem. Foi assim nos dias 1,2 e 3 de setembro de 2010 na manifestação popular pelo custo de vida nada benéfica para a maioria dos citadinos de Maputo, Matola etc.
Um sujeito, provavelmente conseguiu mobilizar muitas pessoas em poucos segundos a lutarem por seus direitos. Porque conseguiu? Simplesmente porque o povo não é bobo, vê o que acontece, a arrogância e descaso para com eles de seus dirigentes.
Não estou a dizer que o povo moçambicano deve sair á rua arrumar barraco/quebra-quebra. Mas sim, deve não aceitar a usurpação do Estado por um grupinho. Cada um, como construtor do desenvolvimento de seu país, deve contribuir para o fortalecer a democracia em Moçambique, se abstendo das práticas corruptas, repudiar as preparações das fraudes eleitorais que ocorre a cada ano eleitoral efetivado pelo apedrejamento de outros moçambicanos com diferentes opiniões, colocar mão na massa, trabalhar para elevar a produção em Moçambique e exigir planos concretos de apoio estratégico que vise a produção e comercialização de seus produtos, exigir e se possível punir dirigentes corruptos através de privação de privacidade/prisão, do voto contra, elegendo outros. Tentar mudar pelo menos.
Sei que isso não é fácil, pois muitos governos autocráticos, ditatoriais, tiranos existentes em nossos países, principalmente no continente africano são auxiliados estruturalmente e logisticamente por algumas potências ocidentais, desgraçando, assim seus povos. Esta cumplicidade desfavorável para a economia e estabilidade social de seus povos e países em benefício dos interesses das elites colonizadoras ocidentais e elites corrupta africana é suportado pelos esquemas de suborno, corrupção internacional, fraudes financeiras, eleitorais em benefícios pessoais, bastando eles favorecerem interesses extrativistas colonizadoras. Moçambique, Angola e demais países africanos são exemplos vivos disse roubo das riquezas em benefício na minoria dominante, externa e interna. Existem manipulação premeditada das balanças comerciais, financeira, informações manipuladas para se dar a entender que estes países estão no caminho certo de desenvolvimento, mas que as políticas governamentais ofuscam a produção interna para favorecer mercados externos em especial a União Europeia e também camufla a pobreza da maioria populacional. As conseqüências destas políticas são o desemprego, miséria e mendicidade, algo comum em Moçambique, em todas vertentes da vida social. Como exemplo disso, temos a massificação da roupa usada, algo que não poderia ter acontecido se houvesse políticas de mercado eficientes para proteger e elevar nossa produção. Falando de roupa usada/testeis é mesmo que falar da industria de castanha de caju, da produção de alimentos a favor das políticas vãs de Jatrofa2 etc.
Devido a ausência de políticas viradas para todos moçambicanos sem excepção, que promovam a educação e informação em línguas locais, produção, comercialização e transporte condigna, as pessoas produzem pouco, pois já dominaram o ofício de mendigo e, se não surte efeito do seu pedido, roubam.
Rouba-se tudo em todos sectores da vida social em Moçambique.
O Ensino, um sector que deveria produzir, fomentar valores que tendem á liberdade do pensamento, pensamento crítico, criatividade, inventividade, autonomia, imaginação e conhecimentos valorados da realidade local em termos das potencialidades culturais, econômicas, agrícolas, ecossistêmicas insiste em fincar o pé na reprodução do conhecimento dominante, quase que exclusivamente ocidental, em criar dependentes, alunos sem criatividade, sem pensamento argumentativo, pessoas que ficam a espera das ordens que vem de cima, ou seja, incapazes de tomar decisões para elevar suas vidas. Os escolarizados, ocidentalmente sabem tudo que acontece em outras partes do mundo, menos na sua região, localidade. A incorporação ou apropriação do que é de fora é visível na forma de estar citadina. O Sistema educacional moçambicano insiste em produzir indivíduos que não sabem ou tem medo de buscar alternativas para resolverem determinados problemas que surgem em seu entorno.
É neste ordem de idéias que a acção de um, dois, três, se tomado com coragem pode influenciar a maioria no sentido de promover mudanças, pois, como disse o economista Castel Branco, se não haver a vontade política ( por parte de quem esta no poder), essa vontade pode e deve ser forçada. Forçada em mudança comportamental e atitudes perante a realidade que advoga contra a maioria da população colonizada, desde um indivíduo comum a elite preocupada com o desenvolvimento efetivo e inclusivo da pessoa humana no continente africano e em particular Moçambique.

Nenhum comentário:

Postar um comentário