quarta-feira, 5 de outubro de 2011

(IM)PARCIALIDADE NO JORNALISMO E EM MOÇAMBIQUE

Jornalismo (im)parcial e suas formas de se mostrar. Esta escrita é um comentário resposta da redacção posta em circulação no dia 5 de outubro pelo jornal “O País” com título:
- Guebuza afirma-se pronto para dialogar....Dhlakama diz-se frustrado


Na sua explanação o jornalista redator escreve:


A partir da praça dos heróis […] Armando Guebuza disse estar disponível para conversar com todas as forças políticas, incluindo a Renamo de Dhlakama. […] Entretanto, o convite ao diálogo oferecido pelo Chefe do Estado ao líder da Renamo parece ter caído em saco roto. ...apesar de Dhlakama ter sido a figura que exigiu negociações directas com Armando Guebuza, a fim de negociar a “cabal implementação do Acordo Geral de Paz” que, na óptica da Renamo, está a ser violado. [….] Enquanto o Presidente da República, Armando Guebuza, dirigia as celebrações oficiais em Maputo, num acto paralelo, Dhlakama, celebrava à sua moda: Organizou um comício na sua actual base, Nampula.



A enunciação do jornalista merece atenção especial: O afirmar se "Estar disponível para conversar com todas as forças políticas, incluindo a Renamo de Dhlakama" parece tratar-se de um convite para o diálogo que civilizadamente se deseja entre os intervenientes no xadrez político e social em Moçambique? Na óptica do Jornalista, era de se esperar que após o discurso do Presidente, o senhor Dlakama ou outra força da Oposição corresse à Ponta Vermelha na maior ingenuidade se prontificar a conversar/dialogar? Dialogar o quê, se o mesmo não reconhece que algo está errado, anda mal na gestão da paz e estabilidade em Moçambique?
Sabe-se que a manipulação da informação pela mídia constitui-se um prato cheio de indivíduos com as mãos acenada para um único lado da história política ou social; mas pensar sempre que o leitor não nota é vacilar perante a opinião pública. É também em outras palavras botar lenha na fogueira e não contribuir para a construção de um diálogo sadio tendente a um Moçambique onde todos se sintam acolhidos.
O discurso da parcialidade se mostra gritante quando refere que "enquanto o Presidente da República, Armando Guebuza, dirigia as celebrações oficiais em Maputo, num acto paralelo, Dhlakama, celebrava à sua moda". Acto paralelo? à sua Moda? O jornalista exprimi a falta de respeito para com outras pessoas, para com outras forças políticas moçambicanas e evidencia a pretensão de desacreditar o Outro. Moda, aqui referida pode ser entendida como algo de supérfluo, banal, infantil, doideira, enquanto os mais nobres estavam noutro lado, o lado bom das coisas, local das celebrações oficiais. O Jornalista não situa o leitor que o lado das celebrações oficiais está muito partidarizada, com bandeiras partidárias e discursos inflamatórias contra a oposição. Esconde episódios das cerimônias de Xai-Xai no ano passado em que partidários do MDM foram hostilizados nas cerimônias oficiais. Mostra o quanto é adepto da manipulação do leitor, desvalorizando este líder da oposição em Moçambique.
Pelas palavras nos mostramos quem somos.
As pessoas têm muitas faces. Essas faces se mostram no discurso e na prática dentro das mais variadas formas. O que nós dissemos perante uma determinada plateia pode não ser o que proferimos perante pessoas mais próximas, reservadas. Há quanto tempo o discurso governamental em Moçambique se mostra acolhedor de todos segmentos sociais e políticos? Mas a prática o que visualizamos é a exclusão política e social nas repartições públicas. A montagem e fixação das células do partido. E que diálogo é que o Chefe do Estado refere?
O não se aceitar que existe algo de errado na interação dos intervenientes políticos; a inflexibilidade perante a preocupação do Outro - pessoas pertencentes a outros partidos políticos; a proliferação das células partidárias no aparelho do Estado (ministérios, estabelecimentos escolares); as perseguições políticas fere os acordos de paz. É necessário dialogo permanente de todos intervenientes sociais-políticos e econômicos em Moçambique para que a paz se perpectue.

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