sexta-feira, 7 de outubro de 2011

MOÇAMBIQUE É UM PAÍS DAS OPORTUNIDADES

Reflexão em torno da Rodada de negócios Moçambique-Portugal
Jornal “O País” do dia 07/10.2011

Formação, o grande desafio

Posso afirmar, segundo minhas experiências nas interações sociais que em Moçambique observa-se comportamento social de não se olhar na gestão, nos processos produtivos, no mercado e no trabalho árduo como condições e incentivos para se um sujeito se lançar no mercado de trabalho ou no empreendedorismo. A maioria dos indivíduos pensa no lazer, na bebedeira, curtição, colecção de muitas mulheres. A primeira reacção do indivíduo ao ser abordado acerca do empreendedorismo é: Cadê finanças para eu investir?
Ora, eu posso me aventurar em afirmar que Moçambique é um país das oportunidades. Contudo, tais oportunidades necessitam de indivíduos formados e com capacidade de detetarem tais oportunidades. Pessoas com capacidades de desenharem projectos exequíveis e bem elaborados, tendo em conta o planejamento dos negócios, todos procedimentos produtivos, do marketing, do mercado, da gestão eficiente e todas etapas produtivas. Sabe-se que tais qualidades de saberes, ainda faltam na maioria de nós moçambicanos. Esta falta não advêm da incapacidade, na nossa natureza, mas sim da formação enciclopédica caracterizada pelo ensino em Moçambique. Falta a formação virada para o empreendedorismo. Empreendedorismo não como conhecimentos abstratos, mas sim conhecimentos acoplados à atitudes, práticas sistematizadas, tendo em consideração técnicas de gestão de negócios e conhecimento profundo do local, do que acontece na região e à nível internacional de modo a sabermos explorar as oportunidades de negócios. Localmente, se observa que muitos jovens aderem a cursos superiores de gestão, administração de finanças, mas com objectivos virados para o ser-empregado-passivo e não como indivíduos preparados para terem olhos e se lançarem nas oportunidades de negócios e empreender.
Recentemente, há quatro anos atrás, o governo encenou a introdução no currículo do Sistema Nacional de Educação da disciplina transversal de empreendedorismo ou em regime de matérias extra-curriculares, algo que era de se desejar. Contudo, a questão que se coloca/ou é como esta cadeira avançaria sem docentes qualificados para tal e, pelos vistos, tudo serenou como sempre.
Um ponto que considero vital seria, provavelmente, a criação de instituições viradas para a orientação empresarial, desenvolvimento e administração de cursos de baixo custos ou não-pagas nas províncias e distritos. Paralelamente, disponibilizar-se-ia profissionais que acompanhassem, periodicamente, o desenvolvimento dos projectos dos pequenos e grandes produtores.
Uma população formada dentro do espírito empreendedor no verdadeiro sentido é capaz de se lançar nos negócios com poucas finanças. A história da humanidade está cheio de exemplos de indivíduos ricos que começaram do nada e hoje estão no pódio empresarial. O trabalho de casa para o governo, a máquina legislativa é colocar à disposição, leis que facilitem e estimulem tais práticas de empreendedorismo.
Considero que é altura de moçambicanos, jovens e adultos ousarem e tomar conta do que Moçambique possui. O tomar conta não significa abocanhar, mas empreender, aproveitar as potencialidades que o país possui no agronegócio, serviços, industria, etc. Pedra Pedra construindo novo dia.

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