sexta-feira, 21 de outubro de 2011

MORTE DE KADDAFI, O ASSASSINATO DE UM LÍDER AFRICANO


É de lamentar este acontecimento fatídico da morte/assassinato de um líder que fez muito pelo seu país e pela Africa e em especial o nosso país-Moçambique. Ele conseguiu que seu país se situasse no topo de países com distribuição de renda equitativa. A Líbia é hoje um país onde o sistema educativo é das melhores, ou seja, o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) acima de muitos países, inclusive europeus e americanos. Dinamizou a União Africana e instigava a sua independência econômica e política. Fez com que seu país produzisse alimentos apesar de seu território ser praticamente deserto. 
Não estamos a beatificar este líder. Na sua governação, também cometeu alguns excessos e nisso, todos governos cometem e estão ainda a cometer; Israel matando indiscriminadamente palestinos sob proteção dos europeus e dos EUA; Os EUA continuando a dizimar os afegãos, iraquianos, líbios; as políticas de extermínio econômico e político dos países em desenvolvimento; a venda de armas aos governos tiranos para oprimir e reprimir seus povos, etc.  
Se olharmos a fundo, Muammar Kaddafi foi morto para se acomodar interesses europeus expansionista da Europa e dos EUA. O Kaddafi era entrave aos interesses europeus em Africa e no seu país. O petróleo era dos Líbios e seus recursos eram distribuído para os líbios com equidade. hoje, veremos quem se beneficiará deste ouro negro da Líbia. Logicamente as multinacionais que  estão com as garras bem levantadas para abocanhar. 
Eles, os líbios destruíram tudo com apoio da Nato/Europa e agora, as empresas europeias e americanas se "oferecerão" para reconstruir o país e assim avança a burguesia predatória ocidental. É triste. Minha preocupação agora é connosco. Eles  estão de olho nas nossas riquezas naturais, pois a nova era é a produção de alimentos, energia e o continente africano tem muito. Temos muito, apesar que não explorarmos com eficácia devido a más políticas e descaso para connosco mesmo, ou seja, dos nossos dirigentes. Adicionado a isto verifica-se a nossa incompetência, ou seja, incompetência dos nossos dirigentes em aglutinar as várias sensibilidades que compõe o mosaico de Moçambique de modo a evitar o descontentamento generalizado que se verifica e promover o desenvolvimento integrado. Resultado, eles, os predadores ocidentais encontrarão veio e manipularão a opinião pública, pois a casa está desorganizada. Só para objetivar o que estou a referir, os americanos enviaram aproximadamente 100 soldados para Uganda, supostamente para ajudar a combater a guerrilha da Frente Nacional da Resistência do Senhor (FNRA) e com a possibilidade de estender para mais países da região que "se estes se interessarem". Na semana passada diversos materiais bélicos foram descarregados na base aérea de Mavalane-Maputo. A imprensa independente procurou saber sobre seu destino e houve mistério na informação acerca. Vozes oficiais enunciava que se tratava de brinquedos destinados à Suazilândia, ora essa! Brinquedos transportados pelos aviões militares na maior “segredo”! Isto significa que os países ocidentais estão incomodados com a influência chinesa na Ásia e no continente africano e para isso, todos esforços e meios, a partir de agora serão alocados para estas regiões. Estas ações irão certamente causar alvoroço no continente africano. Para consubstanciar isto podemos recorrer a conferencia de imprensa de Obama e David Cameron, ha quatro meses atrás - "a influência dos EUA e da Europa continua dominante, mesmo com a ascensão ao poder da China, Índia e Brasil”. Estes lideres ocidentais acrescentaram referindo que “O argumento [de que a influência dos EUA e Europa esta a diminuir] está errado. O momento da nossa liderança é agora” (O País, 2011). Ora, este discurso aponta claramente a gênese belicista. Coadjuvado pela mídia internacional manipuladora, a probabilidade de mais invasões e pressões aos países em desenvolvimento é certa. Muammar Kadafi era incômodo para os Estados Unidos desde a década de 80 quando o Reagan tentou invadir com justificativas de estar a pressionar o governo líbios com o caso Lockobie, até a pretensão deste em revitalizar a União Africana com uma estrutura sólida e independente. Africa deve continuar a depender das políticas selvagens da Europa e Estados Unidos de América. O Poder dominante do mundo está de olho na Eurásia e também tentará cortar as asas de quem se dá ao luxo de promover a independência efetiva no continente africano. O nacionalismo é vista como inimigo da burguesia ocidental e é combatido pelas potências colonias através dos discursos midiáticos inflamatórios. Neste combate, a manipulação, a promoção das guerras em nome das liberdades individuais é destaque. Contudo, mesmo nestes países as políticas de bloqueio às liberdades individuais é prática comum. Na França elaborou-se leis para reprimir o uso de véu islâmico, os imigrantes estão na margem dos direitos iguais aos franceses nativos e brancos; Nos EUA ninguém ousa pronunciar um pensamento social sob pena de ser taxado comunista ou socialista; a imprensa mundial é controlada e faz o que os poderosos que controlam o mundo querem; As potências coloniais reprimiram os colonizados até pouco tempo sem dó nem nó em nome da civilização e continuam colonizando com suas políticas de empobrecimento e políticas extrativistas da matéria prima.
Contudo, são os mesmos que aparecem quererem ajudar os civis matando mais civis.
É lamentável, mas não podemos e não devemos cruzar os braços.
A luta continua!
Independência ou morte!
Venceremos. 

2 comentários:

  1. Há civis que precisam de protecção no Yemen, na Síria, na palestina e noutros cantos do mundo. Os Ocidentais não tungem nem mugem. Agem descaradamente com a cumplicidade das instituições que deviam funcionar com árbitros. Removem líderes e governos que não alinham com as suas pretensões expansionistas e implantam governos fantasmas... assim vai o mundo.

    Moiana

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  2. A humanidade caminha, mas caminha lentamente em direção a sua real liberdade!

    É importante mudar a mameira de pensar que nos foi imposta e assumirmos nosso papel na transformação de uma sociedade de bem e preocupada com o bem comum e não com o poder de poucos.

    Nana - 10/11/11

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