domingo, 20 de novembro de 2011

A NÃO DIFERENÇA ENTRE PARTIDARIZAÇÃO DAS INSTITUIÇÕES PÚBLICAS E ACESSO A INFORMAÇÃO DE FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS


Esta escrita é uma tentativa de resposta a um compatriota que a meu ver não encontra diferença entre a, ou seja, da despartidarização das instituições públicas e o acesso dos funcionários públicos à informação.

Vejamos sua argumentação:
Não sou partidário da partidarização das instituições públicas nem defensor dos delapidadores da riqueza. Mas também não sou a favor da despartidarização do funcionário público. Defendo que nenhum partido deve colonizar outro, muito menos influencia-lo a alterar seus estatutos a favor do adversário. Quando é que a mensagem do Partido vai chegar ao público que da segunda a sexta feiras está no serviço público. Será que só se deve esperar pelo tempo de campanha, como a nossa oposição faz? Ou aos fins de semana sem contar que o trabalhador precisa de descanso. Defender a acessibilidade da oposição ao jogo partidário em instituições públicas é uma coisa, acabar com ele, é outra. Os moçambicanos chegam demasiadamente tarde a tudo, mas acabam chegando.

Mas cara! Que é isso cara! Pedro, Pedro, Pedro. Mas que idéias são essas senhor Pedro. O discurso do compatriota está repleto de disjunção. A prior refuta não ser defensor da partidarização das instituições públicas e nem é defensor dos delapidadores do erário público, mas em seguida afirma que não é a favor da despartidarização do funcionário público. Apreendemos em seu discurso sentidos que mostram filiação com a partidarização das instituições públicas. Deixou marcas discursivas de estar a tropeçar e deslizar no conforto da sua crença partidária da privatização das instituições do estado pelo partido no poder.
Primeiramente, vamos tentar refletir acerca de como o cidadão entende por Partidarização do funcionário público. Provavelmente, o Pedro pensa que Partidarizar o funcionário público é promover a circularidade da informação partidária nas instituições públicas. Se pensar deste jeito, a questão é: será que não existe outra maneira de um partido fazer a política, comunicar-se com seus partidários sem que intervenha nas atividades das repartições públicas e sem que paralise as mesmas instituições?
Será que já refletiu acerca das implicações desta atividade num contexto em que o poder é exercido?
Muitos cidadãos moçambicanos são coagidos a se filiarem no partido no poder, ter o cartão partidária, a pagar cotas partidárias e descontadas diretamente na folha de salários. Em casos em que o funcionário mostrar o não querer sofre represálias, perde seu posto de trabalho e noutros casos é exonerado sem explicação convincente.
Será que os defensores da partidarização do funcionário público já refletiram acerca dos contornos da exclusão política que este ato acarreta aos que não estão na circularidade do poder exercido nas empresas estatais? E o Pedro acha isso importante em detrimento das atividades laborais somente?
Por outro lado, ao referir que defende que nenhum partido deve colonizar outro, muito menos influencia-lo a alterar seus estatutos a favor do adversário, quererá achar que opor-se às ações que promovem atos que perigam a estabilidade do país, atos que possam criar e criam exclusão política e social nas instituições públicas é querer colonizar outro partido, o partido no poder?
Acha mesmo que opor-se a estes atropelos é querer obrigar a mudança de estatuto do partido no poder em favor do adversário?
Quando ações partidárias interferem na mobilidade e estabilidade social de um país, prejudicando a coesão social é legítimo que haja forças do mesmo país a se oporem contra estas ações.
Será que o cidadão já se imaginou estando numa instituição do Estado e ser coagido a reuniões do partido no poder sem ser do mesmo? Não acha que as Instituições do estado tem coisas sérias e importantes para tratar como aumento da produtividade de seus funcionários em detrimento de questões partidárias que os divide?
O será que o cidadão moçambicano não acha que questões relacionados com as crenças políticas, religiosas deviam ter um fórum próprio, em lugar e tempo próprio?
Por que tem intervalo nas programações de TVs? não é para quem quer e tem dinheiro publicitar sua mensagem?
Caro cidadão! Existem jornais, rádios, internet e outros meios audiovisuais e mediáticas para fazer-se o Marketing político, religioso, comercial, ideológica. As Instituições do Estado não são de um partido, mas de todos moçambicanos independente da filiação partidária, religiosa, raça, étnica, gênero.
Nas repartições públicas deve-se desenvolver tarefas e comportamentos que promovam a produtividade e conseqüentemente o desenvolvimento econômico do país e de seu cidadãos.
Existem ações que usualmente defendemos devido à nossa posição do momento, na situação em que as coisas estão a nosso favor. Contudo, as mesmas ações, se praticadas sobre nós em momento não favorável são uns tantos constrangedoras.
Portanto, o defesa da mensagem partidária em instituições públicas dadas através da formação de círculos partidários, reuniões em tempo de trabalho, os cortes de cotas partidárias diretamente nos salários dos trabalhadores coloca uns tensos e promovem clima de instabilidade nos trabalhadores/funcionários e promovem a exclusão política e social no país. Isso, caro moçambicano, fere a constituição. Fere a integridade dos moçambicanos e deve ser combatido, ou não?
Que pensa a maioria dos leitores?

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