sábado, 15 de dezembro de 2012

A ETNIA, OS CONFLITOS E A GEOGRAFIA DO PODER


Cossa, Lourenço

O mundo foi mais uma vez brindado pela notícia que dava conta que o governo norte coreano havia lançado com sucesso um foguete nomeado como míssil balístico pelas potências ocidentais, mas que para os coreanos trata-se de um satélite com fins pacíficos.

Os países ocidentais andam preocupados pela ousadia do estado/governo coreano, pois na sua visão, aquele estado comunista é perigo para a humanidade.

Mas será que de fato o desenvolvimento e o domínio da tecnologia espacial e/ou de míssil pelo estado da Corea do Norte é perígo contra a humanidade ou é perigo para os interesses destas potências cujo seus interesses não conseguem se desgrudar na pretensão de controlar os povos, governos, de seus recursos humanos e filosóficos?

A ousadia da Corea do Norte e do Irão em desenvolver seu poderio militar ou o domínio da tecnologia espacial de mísseis desassossega os países ocidentais como Estados Unidos da América, França, Reino Unido entre outros, mais a Rússia. Enquadra-se no conflito de interesse, no conflito étnico, entre os que podem e outros que não podem. Na geografia do poder os que têm poder, os que podem "naturalmente" têm a prerrogativa de determinar quem deve ter a tecnologia X ou Y. Contudo, o dever ter tal tecnologia depende da posição política e étnica que o que não tem poder, o outro se enquadra. Se por exemplo, em uma determinada região geográfica existe algo de interesse política ou econômica, certamente um elemento de lá que tenha algum "poder" deve pertencer/filiar aos poderosos/ocidentais com poder de ampliar seu império colonial/neocolonial. Caso este não pertencer ideologicamente ao grupo do poder, deve permanecer silencioso, não chamar atenção, pois caso não, ele deve ser um algo a abater. Abate-se com isolamento, exclusão econômica e uma política ofensiva, incitamento a guerra interétnica ou civil, golpes de estado etc. Na atualidade política e geográfica do poder, um governo ou lideres nacionalistas são susceptíveis ao abate/assassinato ou a outorgação de termos que permeiam a moral política, ditador. Só não são ditadores os lideres que abrem as portas de seus países e economia para os países ocidentais e potências militares/econômica se servirem sem custos que mexa os bolsos. O contrário, o caso de ser nacionalista/ditador, mas bom moço é útil, até que não haja mais interesse em se manter relações "bilaterais". Ai é descartado. O Hosni Mubarak é exemplo claro disso.

A lista de países, governos e lideres abatidos é extensa. Podemos citar exemplos como o Manuel António Noriega do Panamá, o Maurice Bishop da Granada, Patrice Lomumba da RDC, Bashar Al Saad da Síria, Muammar Kadhafi da Líbia, Sadam Hussein do Iraque para além da estranha coincidência do fato de quase todos lideres africanos que lutaram para as independências de seus países terem morridos com "doenças" ou assassinatos.

O mundo vivencia a luta entre o poder, controle do Outro sem precedente. Este Outro é visualizado em forma de etnia e raça. É o exótico, o folclórico engraçado até certo ponto que tem que ser igual como nós, mas nunca será como nós.
   

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

A VIOLÊNCIA E BARBARIDADES DAS FORÇAS MILITARES CONTRA A POPULAÇÃO INDEFESO




Cossa, Lourenço

O Estado Moçambicano é contra os Direitos Humanos: A violência policial é uma realidade crua em Moçambique. A brutalidade e impunidade dos brutamontes chamados Forças de Intervenção Rápida (FIR) contra a população indefesa constitui a covardia em Moçambique. Como seu comandante da mesma polícia já veio a público afirmar que a polícia têm leis próprias e não prestam contas a ninguém, nem mesmo às instituições da justiça, exceto é claro ao partido governista, a Frelimo.
O vídeo a seguir apresenta o espancamento bárbaro a um cidadão que fazia parte de um grupo de trabalhadores de uma empresa de segurança privada que reivindicavam melhores condições de trabalho, tratamento humano de seus patrões e salário justo. Eles manifestavam-se pacificamente e sem arruaças.
video

terça-feira, 6 de novembro de 2012

LÍDER DA OPOSIÇÃO EM MOÇAMBIQUE CANSOU E VOLTOU ÀS MATAS DE GORONGOSA: Que final esperamos em Moçambique?


Cossa, Lourenço

Em meio das informações que apontam a volta do líder do maior partido da oposição Resistência Nacional de Moçambique (Renamo), Afonso M. Dlhakama, às matas da antiga base militar em Gorongosa, distrito da província de Sofala adicionado às informações postas em circulação referindo a contratação de mercenários estrangeiros, zimbabweanos e sul-africanos para assassinar aquele líder, o governo veio à público desmentir  O Governo, através do porta-voz do partido governamental acusa a notícia da contratação de mercenários como infundada e adianta referindo que o governo pauta pelo diálogo e está aberto ao diálogo.
Contudo, jornais independentes confirmam a instalação de mais ou menos três bases militares comandadas pelas Polícias de Intervenção Rápida (FIR), Grupo de Operações especiais (GOE) e Serviços da Inteligência e Segurança do Estado (SISE) nas redondezas do Distrito de Gorongosa e confirma-se o clima tenso instalada na região pelas movimentações de policiais e pessoas a paisana nunca vistas pelas populações locais, situação que está a mudar o curso normal de vida das populações lá existentes. É difícil ir e vir nos distritos de Gorongosa e nas zonas circunvizinhas.
O jornal Savana do dia 2 de novembro reporta prisões das populações locais que se fazem à rua a noite sem o Bilhete de identidade (BI), prisão e estupros das mulheres que desenvolvem atividades sexuais nas localidades de Inchope em Manica, onde foram instaladas as bases militares nos últimos dias.
Uma cidadã de nome Mery Jeremias, entrevistada pelos jornalistas do Savana reportou que “às mulheres, a FIR exige Bilhete de Identidade (BI)e/ou ‘receita’. Em caso de não ter ‘faturada’, as trabalhadoras do sexo são obrigadas a passar uma ‘noite grátis’ na cela do posto policial local. Aos homens exige-se BI e se não apresentarem terão ‘direito’ à chicotadas/porrada”. Savana, 02/11/2012.
No permeio desta questão algumas poucas vozes da sociedade civil influente aponta a necessidade do governo estabelecer diálogo. Lembra-se que esta prática se mostrou pouco visível dentro do governo moçambicano liderado pelo partido Frelimo, situação que coloca alguns setores reticentes quando a persistência da paz aparente que se verificava desde 1992 em Moçambique.
Entre disse e não disse, cidadãos moçambicanos se dividem entre discursos pró-dizer governamental e outros a apelarem a necessidade da paz douradora dentro da interação equilibrada entre os atores políticos e sociais.
Uma coisa que merece ser anotado é referente às posições díspares entre cidadãos comuns, uma vez que se houvem vozes a ignorarem as preocupações do líder da Renamo embora estas constituírem parte das preocupações de muitos cidadãos que se sentem inseguros e injustiçados com o sistema de interferência negativa partidária governamental na vida social do país.
Lembra-se que aquele líder manifesta-se contrário com as perseguições e exclusão política em todas as instâncias do Estado, a proliferação das células do partido no poder em todas as repartições pública, acarretando nas intimidações, descontos coercivos nos ordenados dos trabalhadores, na usurpação dos recursos naturais e finaceiros de estado por um grupinho político no poder em detrimento da distribuição de renda equitativa, na inviabilização das ações partidárias dos partidos da oposição entre outros problemas que preocupam a estabilidade e democracia, além do cumprimento das cláusulas do acordo geral de Roma que pôs fim a guerra civil em 1992.
Perante a total banalização da sua imagem somada com as perseguições políticas e sociais de militantes de partidos da oposição ou qualquer moçambicano que contestem a forma de governação e, ainda agravada pelo fato de não existir abertura para diálogo por parte do governo este líder da oposição resolveu sair da cidade de Nampula onde morava nos últimos anos e voltar para antiga base militar nas matas de Sofala.
As reclamações deste líder, em muitos casos caem no deslocamento perante a mídia e em diferentes cidadãos, mas no geral constituem preocupação da maioria dos moçambicanos, afinal todos querem se sentir parte na construção de Moçambique e usufruir dos recursos que o país possui.
Entre os discursos que preocupa trazemos um recorte discursivo de internautas do jornal eletrônico O País em que no meio desta questão manifesta da seguinte forma:

- Em Moçambique só existe povo moçambicano  qual esse povo que quer a guerra? O povo sabe o que quer. É a harmonia e o desenvolvimento pelo esforço próprio. Por mais que se mude para outro governo, não irá satisfazer por completo todas as necessidades individuais. O Sr. Dlakama deve se convencer nisso. MC;
- Esses sururus todos em que a Renamo tem criado  servem para criar instabilidade no país. MT;
- A Frelimo dialogante? A mesma que faz tudo por tudo para empurrar o MDM à guerra? AAK;
- Eu estou contra as mortes, mas este senhor, sinceramente Moçambique não perderia nada. Então cada vez que um moçambicano não está de acordo com a governação do País tem que recorrer as armas? JFN;

Como se visualiza, dentro do discurso de alguns cidadãos, somos interpelados e confrontados pelos dizeres que tendem a convencer os moçambicanos de que não adianta a democracia, pois mesmo que entre outro governo as coisas permanecerão na mesma.
Uns encorajam agentes governamentais a assassinar aquele líder e outros mostram a dúvida quanto ao dizer que apontam a abertura do diálogo do governo partido.
Visualiza-se a ausência do diálogo e coesão social em Moçambique, situação que faz emergir sinais da intolerância e discursos belicistas. Este estar não se verifica apenas em alguns segmentos da população, mas em grande parte dos partidários governamentais. Relega-se o diálogo em favor da instabilidade.
Desde a independência nacional em 1975, o país esta a ser governado pelo mesmo partido, a Frelimo e como é que as coisas podem ser as mesmas se houver alternância do poder em Moçambique se moçambicanos nunca experimentaram outras possibilidades governativas?
Discursos como estes são os que perpetuam sistemas de poder mesmo que se mostrem em desconexão com interesses mais amplos do povo. São discursos que teimam em lutar contra o desenvolvimento, democracia, implantando sistemas de ditaduras e tirania. Discursos como essas servem para perpetuar a ideologização das pessoas.
Um recorte do hino nacional refere - pedra pedra construindo novo dia, Milhões de braços uma só força, Ó pátria amada vamos vencer. São milhões de moçambicanos que podem desenvolver Moçambique e não um punhado de gente.
Entre o dito não dito da parte da oposição e do governo, ninguém sabe ao certo o que está acontecer no terreno. O que todo mundo sabe é que as revindicações daquele opositor são legítimas, pois constituem preocupação da maioria dos moçambicanos que se sentem prejudicados com o direito exclusivo de militantes pró-governamentais na partilha dos recursos de que o país possui. A maioria dos moçambicanos está ciente que não querem guerra, mas também não coabitam com as perseguições políticas e a exclusão social e política.
Lembra-se que em Moçambique ter um cartão do partido no poder define em grande medida o sucesso e a empregabilidade nas instituições do Estado e de participação do Estado. Daí haver necessidade de uma ação consertada e vigorosa das pessoas comprometidas com o bem comum de modo a pressionar o governo a dialogar e evitar uma guerra desnecessária. Um conflito armado não é benéfico para democracia, para moçambicanos que estão ávidos em investir e desenvolver no seu país.
Se houvesse diálogo nas estâncias governamentais, ter-se-ia deixado a transmissão em direto na mídia televisiva a apelação do ideólogo da Frelimo em favor do diálogo no seu do partido. Pelo contrário, quando este político criticava algumas anomalias no seio do coletivo partidário houve interrupção forçada a todos os jornalistas que cobriam o evento. Proibiu-se a mídia de reportar qualquer coisa que mostraria a existência do diálogo.
Se existisse diálogo não se correria o risco de perseguir, excluir este líder da oposição e militantes de todos partidos da oposição. Foi este partido que obrigou o governo monopartidário a ir à mesa para dialogar e permitir a democracia em Moçambique.
Entre dito e não dito há que realçar que muita informação é inacessível para mídia e para moçambicanos. Como é que informações dessa natureza podem vazar se nem para um Zé ninguém pesquisador qualquer não consegue obter determinadas informações dados importantes para a área científica  acadêmica que provavelmente poderiam contribuir no esclarecer algumas questões e quiçá desenvolver de Moçambique? Convidaria ao leitor a ver as entrelinhas do pronunciamento do Ministro da Defesa aquando da sua saída do conselho de ministro (http://www.verdade.co.mz/nacional/31777-ministro-da-defesa-diz-que-afonso-dlhakama-merece-proteccao).
O seguinte excerto mostra a provável gravidade da questão:

- As forças armadas não estão para matar pessoas que dialogam e que produzem debates, porém está previsto na constituição da República que quem violar o território, por vias externas ou internas, as forças da defesa podem responder. Mas até ao momento não há motivos para tal. Agora, se de fato, Dlhakama sente-se ameaçado deve ir às instituições próprias como esquadras e fazer a devida notificação porque ele merece proteção. Ministro da Defesa Filipe Nhussi - 30102012.

O Ministro manda aquele líder da oposição fazer queixa em qualquer esquadra policial num cenário em que estes agentes do estado em grande medida cumprem agendas partidárias do poder governamental numa total parcialidade política.
Este discurso indica zonas de penumbra consistente. Toda decisão se delega ao próprio líder da oposição. O governo fica isento de qualquer responsabilidade. O ministro está a ameaçar e banalizar a figura política daquele que foi responsável por dezesseis anos pela paragem do projeto monopartidária de marxismo-Leninista adotada pelo governo inicialmente. É como quem quer dizer – você não mete medo a ninguém. Isso quer dizer algo que nós cidadãos comuns não sabemos nada do que está a acontecer na realidade e muito menos conseguimos ver a olho nu.
Cenários prováveis – Ensaio de invasão a possível reação deste partido em termos de seu poder de fogo e a consequente decretação do Estado de Sítio. Assim, adeus às eleições e prolonga-se a chefia atual na administração do país, perpetuando o nepotismo, a corrupção e a delapidação dos recursos naturais e financeiros. O segundo - assassinato do líder Dlhakama e abrir-se o cenário angolano em que o presidente é Deus. É que decide o que e quem fazer isto ou aquilo.
Um fato é que quando eclodir mais uma guerra civil não serão os filhos deste punhado de gente agarrado ao poder que irá a guerrear no terreno e defender seus os interesses. São filhos dos moçambicanos, aqueles cujo seus país são excluído dos recursos de que Moçambique despõe. Não serão os familiares dos mesmos políticos que teimam em excluir outros moçambicanos na construção de Moçambique que sofrerão na carne e osso. É necessário de evitar o derramamento de sangue desnecessariamente. Não queremos a angolanização de Moçambique.
Pedra, pedra construindo novo dia, Milhões de braços, uma só força, Vamos vencer. 

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

GRITO DE SOCORRO - SOCIEDADE CIVIL EM MOÇAMBIQUE: Aonde anda?

Cossa, Lourenço
Já ouvi por várias vezes a existência da sociedade civil em República de Moçambique. Na realidade existe e é composta por grupos isolados de acadêmicos, empresários “independentes”, estudantes e jovens conectadas à rede mundial de computadores, internet.
A presença na sociedade moçambicana destes grupos é de extrema importância na medida em que propicia a circularidade discursiva de pontos de vistas diversificados, situação que possibilita o espelhamento dos discursos, ideias de vários sujeitos que compõem a moçambicanidade. Não podemos deixar de congratular o papel da comunicação social e das tecnologias de informação na promoção da circulação das várias posições e ideias na construção do país.
Assim, as aparições destes grupos na sociedade servem como termômetro dos fenômenos e acontecimentos sociais, políticos, fato que demostra de certa maneira o exercício da cidadania e da democracia.
Mas, no tocante às aparições destes grupos da sociedade moçambicana é caracterizada pelas zonas de penumbra. Sucedem acontecimentos de grande relevância e que são marcos dos destinos do país sem, no entanto, as mesmas sociedades se pronunciarem com posições valorais pró-cidadania e democracia.
São notórios, nas exibições midiáticas televisivas, discursos de algumas figuras públicas, gestores de algumas instituições escolares, lideranças empresariais, jornalistas, políticos e outras individualidades que sinalizam a existência de uma sociedade civil forte e crítica.
Mas em outras ocasiões referentes à animosidade política, alguns partidos da oposição têm desconfiado das reais posições políticas da referida sociedade civil que se afirma existir em Moçambique. Alguns segmentos da sociedade isoladamente têm acusado que na verdade a sociedade civil em Moçambique é constituída por membros devotos do partido governamental, portanto, um dizer ou acusação que prontamente é sempre encarada com repúdio.
As vozes que usualmente mais têm se posicionado publicamente desfavoráveis aos acontecimentos sociais políticos que provavelmente podem ofuscar e perigar a cidadania e democracia em Moçambique são as dos líderes religioso, os Arcebispos da Beira e Maputo D. Jaime Pedro Gonçalves Alexandre, D. Francisco Chimoio e o D. Dinis Singulane, o Bispo da Igreja Anglicana, a voz de acadêmicos como Lourenço do Rosário, as vozes de alguns editores de jornais independentes entre outras. O grosso das chamadas sociedades civis que aparecem na mídia oficial como encenar a cidadania e ser democrática ficam ausentes por vezes.
Estes posicionamentos isolados e por vezes contraditórios dos vários segmentos das sociedades moçambicanas potencializam políticas de instabilidades e açambarcamento dos recursos naturais e financeiros do país por um grupinho da elite política que pelas suas ações e discursos se considera dono do país e dos moçambicanos.
Em um país com uma sociedade civil desorganizada, sem sindicatos apartidários e desgarrados ao poder do partido governamental, o exercício da cidadania e democracia ficam minados. As populações e os trabalhadores ficam desprotegidos e qualquer ação governamental apresenta-se como um favor e não obrigação.
É obrigação do Estado proteger seus cidadãos contra todas as formas de violência física, moral e psicológica. Isso não é favor.
Atualmente, as notícias vindas da mídia independente chocam-nos com notícias que apontam as arruaças perpetradas pelos partidários da Frelimo, partido governamental. Estas arruaças são catalisadas inclusive pelos policiais comprometidos com as agendas partidárias, alguns presidentes de municípios governados pela Frelimo como são os casos de Chimoio, Tete, jovens associado a grupos pró-governamental entre outros. Estes líderes municipais, autoridades e partidários pró-governamentais destroem bandeiras de outros partidos políticos dentro das casas e sedes dos partidos políticos como, por exemplo, o Movimento Democrático de Moçambique (MDM). Agridem fisicamente e sob qualquer acusação sem fundamento e sem julgamento justo. A polícia prende membros de partidos da oposição num olhar impávido dos órgãos da justiça.  
Entretanto, a chamada sociedade civil que reclama ser e velar pela democracia não se manifesta e muito menos se pronuncia contra as arruaças comandadas por membros do partido governamental que se sentem com autoridade de praticas a impunidade. No entanto, quando relatórios internacionais colocam o país em posição disfórica e distante no estar positivo ou eufórico, comumente vimos desfiles de dirigentes governamentais a proferir discursos de vitimização e discordantes da classificação.
Afinal aonde anda esta mesma sociedade civil coerente e atento aos problemas do país?
Por que estes grupos da sociedade não se organizam para em viva voz questionar as autoridades judiciárias, policiais, para se mexerem e coagir dirigentes do partido FRELIMO a respeitarem a constituição de Moçambique e cessar com as intimidações perpetradas por seus membros a outros partidos?
Que democracia é esta que está se construindo em Moçambique?
Da exclusão de moçambicanos pelas cores partidárias, condição social ou da integração de todos?
Uma sociedade civil organizada e ativa é capaz de se fazer junto às sociedades moçambicanas na promoção da cidadania e participação social. A sua presença na sociedade através da educação cívica desvinculada à partidos políticos pode, certamente obrigar aos políticos a respeitarem o povo moçambicano e a Constituição da República e assim proporcionar-se a construção de uma sociedade mais justa e fraterna.
Somos diferentes, mas somos moçambicanos e nalgum momento temos que ultrapassar as nossas diferenças, as práticas nefastas à estabilidade e integridade humana. Respeito à pessoa humana já.

sábado, 13 de outubro de 2012

ELEIÇÃO DECIDIDA NA AGRESSÃO E A DEFENSIVA

Cossa, Lourenço

As pesquisas das intenções de voto dos Estados Unidos da América apontam a caída da preferência eleitoral do atual Presidente Barak Obama mesmo este ter apresentado coerência na sua forma de Governação e na forma de lidar com situações políticas internas e externas. Este perde a favor de um adversário extremamente bocudo e problemático na política interna e externa.

Perante a esta situação há que dizer:

- Se existe uma coisa que não entendo e que não é digerida por mim é a democracia dos Estados Unidos da América.

Como é que um indivíduo pode descer degraus na preferência dos eleitores americanos enquanto que apresenta propostas equilibradas e inclusivas na sua governação a favor de um sujeito que a todo instante prova que tem uma boca invasiva contra povos estrangeiros não próximo a seus interesses (Palestinos, Sírios e mais), seus parceiros estratégicos (Inglaterra) e, inclusive o seu próprio povo apontando-os indiretamente como preguiçosos, dependentes das abas do estado.

Como é que um candidato pode perder a preferência mesmo com capacidades superiores de gestão por ter ficado na defensiva perante um sujeito que entra no debate para agredir, acusar e por isso cair na graça dos eleitores. Será que o povo americano identifica-se extremamente com a violência?

Que democracia hein!

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

PAÍSES INDUSTRIALIZADOS INJETAM 389 MILHÕES DE EUROS NO SECTOR AGRÍCOLA EM MOÇAMBIQUE: Qual é a nossa comparticipação nisso?


Cossa, Lourenço


Dada a importância da agricultura na produção alimentar e na possibilidade de se eliminar as carências alimentares no continente africano e sobretudo no concernente ao comprometimento da produção e aumento dos alimentos no mundo até 2020, o grupo de países industrializados que fazem o bloco do "G8 lança o projeto de produção agrícola em Moçambique" - In: Jornal o País, 01/10/2012.

De facto o sector agrícola mercê muita atenção de todos os intervenientes da sociedade moçambicana e é necessário que haja estruturação organizada e eficiente do sector acompanhada pela sensibilização destes intervenientes ao comprometimento com a produção dos alimentos de modo a se orientar os produtores, camponeses para a produção em quantidade e qualidade.
Existe a necessidade de se produzir, encaminhar e estimular extensionistas devidamente formados às zonas rurais e, sobretudo, extensionistas comprometidos com a produção e produtividade no campo. A permanência destes profissionais nas zonas rurais não deve se fazer como simples visitação aos camponeses ou se fazer por meio de relações verticais sujeitos com conhecimentos versus camponeses sem nenhum saber e assim pessoas susceptíveis a ouvirem simplesmente.  Deve sim permitir que o campo seja ou se transforme em moradia e lugar de pertencimento.
A permanência destes profissionais no campo não deve ser uma ação isolada. Deve ser acompanhada pela formação continuada e permanente dos produtores em tecnologias que melhore a produção rural dos diversos produtos. Na atualidade as tecnologias para a produção agrícola estão avançadas que em um hectare de milho, por exemplo, um agricultor é capaz de produzir mais de nove (9) toneladas. É possível se produzir mais em uma área pequena utilizando tecnologias de irrigação que evite desperdícios de água ou se produzir mais em uma área com pouca água.
Moçambique possui terras férteis e, no entanto produz menos e não consegue responder as suas populações em termos de alimentação e para piorar enfrenta uma série de dificuldades no escoamento e comercialização da pouca produção dos camponeses.  
Por outro lado temos países como Israel com poucas terras produtivas e sem água em abundância, mas que em contrapartida produz mais e exporta mais alimentos para muitos países. É nesta ordem de ideias que urge se estabelecer instituições de formação e orientação permanente dos camponeses nas zonas rurais para além de se disponibilizar insumos agrícolas seguidas pelo acompanhamento e assistência na comercialização. Só assim é que o camponês e alguns segmentos que populam as zonas urbanas vindos do campo se sentirão estimulados a permanecer nas zonas rurais e ao trabalho árduo.  
Há necessidade de sabermos que não são as instituições ou entidades estrangeiras que trabalharão ou que produzirão alimentos por nós em Moçambique. Eles podem sim financiar. Mas cabe a nós como povo e nação soberana definirmos políticas concretas de como e para que produzir alimentos no país. 
Pedra pedra construindo novo dia. Milhões de braços uma só força. Vamos vencer.

O QUE NÃO APARECE NA HISTÓRIA POLÍTICA DE MOÇAMBIQUE

Com o título:

O QUE NÃO APARECE NA HISTÓRIA POLÍTICA DE MOÇAMBIQUE

Somos interpelados a toda hora por textos postados na internet, em e-mails, facebook entre outros meios informáticos. É neste contexto que recebi este recorte de jornal documental que se supõem advir da documentação histórica de Moçambique independente. O contacto com este documento fez emergir as lembranças da minha escolaridade primária em que nas escolas cantávamos todos os dias cânticos revolucionários hostilizando todos aqueles cujo a história oficial de libertação de Moçambique os considerava contra a independência nacional e daí serem susceptíveis à morte ou a punições severas. 
Com o desenvolvimento da consciência crítica e acadêmica auxiliado pelos meios de comunicação ficamos a saber na atualidade que na verdade estes sujeitos históricos que fundaram, lutaram pela libertação de Moçambique tiveram o seu silenciamento devido à sua opinião deslocada da de alguns membros da Frente de Libertação de Moçambique e daí resultou na morte destes. 
Convido o leitor a ver e desfrutar deste recorte documental com atores da História recente de Moçambique.

Que significações podemos abstrair com este recorte? e que conclusão podemos ter?
Muitas! Ou nada! Nada mesmo.
Mas que informações desta natureza pode nos auxiliar na contextualização da situação política de Moçambique democrático bem como prevenir-se os erros do passado.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

REVISÃO PENAL EM MOÇAMBIQUE: A coragem de uma geração pró-África

Cossa, Lourenço
 
A Assembleia da República de Moçambique está a efetuar a revisão do código penal de modo a adequar as leis à realidade moçambicana. Sabe-se que as leis até então vigentes foram concebidas pelos colonizadores portugueses e assim, todas são baseadas na cultura, costumes e práticas europeias e, quando muito, leis rígidas contra as práticas africanas consideradas não civilizadas e nefastas a civilização ocidental e à cristandade. Foi neste contexto que culturas, costumes africanos foram perseguidos durante toda colonização efetiva até aos momentos atuais de Moçambique independente. A partir destas leis lutou-se contra a medicina africana, contra as formas de casamento, de nascer e de morrer dos africanos e em particular das sociedades moçambicanas.

É nesta situação que o Estado moçambicano está a desencadear a Revisão do Código Penal como forma de adequar as leis à realidade dos moçambicanos e de outro contextualizar as outras ao contexto global. Como qualquer lei existente em um país é susceptível a falhas, mas também não se pode tirar o mérito do trabalho que está sendo efetuado. Outra coisa é que não é possível satisfazer os interesses de todos os grupos sociais, mas uma coisa que é de desejar é que as leis regularizem, defenda e abarcam a maioria dos moçambicanos.

Assim, pelo que se visualiza, os deputados incumbidos nesta tarefa estão a dar vazão aos interesses mais amplos dos moçambicanos e não interesses localizados. Estamos presenciando o aparecimento de vozes a se oporem a revisão de algumas leis. É nestes moldes que escrevo este texto para manifestar o meu não perceber o porquê deste alarme.

Os pontos que o relator apresentou ao público estão adequados à realidade moçambicana e veem à boa altura e é de louvar o trabalho dos parlamentares. Moçambique é Moçambique e não é para uma meia dúzia de gente que tem acesso à informação de outros quadrantes e que se constituíram culturalmente dentro da escolaridade ocidental com a ideologia cristã ocidental sem contextualização com a realidade africana.

As leis de Moçambique devem albergar interesses mais amplos, exceto interesses que atentam a integridade humana de fato e não ideológica de outros povos. Um dos aspectos que necessita de melhoria e clarificação na revisão penal vigente é no concernente as leis informáticas. É necessário haver debates profundos que se insiram nos pressupostos da “liberdade” e democracia para não se cair nas perseguições políticas, afinal sinais que encetam a esta tendência estão em amostra. Há muita preocupação de certos políticos quanto a internet em especial ao facebook por permitir a circularidade dos sentidos que mostram visões críticas contra a forma de gestão da coisa pública. Quanto à revisão das leis da era colonial portuguesa cristã, as correções estão em um bom caminho e é de encorajar o parlamento moçambicano.

http://www.jornalnoticias.co.mz/pls/notimz2/getxml/pt/contentx/1507930/20120918
Algumas leis que suscitam alaridos de certos segmentos grupais da sociedade moçambicana.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

CHINESES CONTINUAM A HUMILHAR MOÇAMBICANOS EM MOÇAMBIQUE: Qual é o paradoxo disso?


COSSA, Lourenço

De novo somos acordados com a notícia de espancamento de moçambicano dentro de território nacional, Moçambique por estrangeiros chineses. Desta vez esta desgraça consequente caiu mais uma vez sobre um polícia, portanto, um membro que vela pela segurança do Estado e dos moçambicanos. Provavelmente, depois deste polícia será o deputado, depois ministro e por fim o Presidente do país.

O Inspetor e Porta-voz da Polícia da República de Moçambique na cidade de Maputo, Arnaldo Chefo desabafa:

- “Os Chineses têm abuso” – Jornal CanalMoz - terça-feira, 04 de Setembro de 2012.

Podemo-nos questionar, até quando estes desmandos irão cessar e, a resposta é, provavelmente não para já. Isso irá acontecer mais. É ser negativo, não é?

Pois não é. Este comportamento de estrangeiros é resultado da desorganização do Estado e Governo moçambicano e da sua Sociedade Civil.

Quase todo estrangeiro da raça branca e amarela estão cientes que moçambicano é desavisado, distraído por natureza colonizadora e culturalmente ingênua em certas ocasiões. Sabe que esta distração provém do que se chama “respeito” e admiração por grupos étnicos fora da África subsaariana. Este “respeito” emerge perante a cor do Outro, este Outro que para o colonizado psicologicamente é motivo de desejo, catalisa comportamentos deslocados e prejudiciais a ele mesmo.

Um dos comportamentos demonstrativos deste “respeito e consideração” do estrangeiro não africano-preto consiste no fato de que a interpelação desse Outro não negro por um polícia ou um determinado cidadão civil é caracterizada por atitudes que trazem sentidos de submissão e inferioridade deste, situação que coloca o outro, o estrangeiro não preto se sentir superior e acima de tudo, num território que não é seu, portanto, algo que não sucede com o africano-preto em país deste estrangeiro.

Para piorar é que este estrangeiro conhece e sabe das fragilidades do Estado deste dono do país.

Qualquer desentendimento com o nacional nativo e preto, o estrangeiro sai com vantagens junto das autoridades policiais. O policial ou um nacional preto ao lado de um estrangeiro não-africano não-preto se sente superior em relação a um outro moçambicano e, em contrapartida se sente inferior perante aquele não africano e não preto ao seu lado. Este estar se mostra pela busca incessante de agradar o não africano não preto; muda seu ser, apaga a sua identidade e nessa altura quererá falar a língua de seu “hóspede” invertendo os papeis cuja normalidade é o hospede procurar ser compreendido pelo dono da casa.

Logicamente, esta situação fará com que o estrangeiro se sinta em casa e com ousadia de até ir ver o quarto do dono da casa e quiçá sentar ou dormir sem ser convidado. Espancará, subornará, promoverá rixa entre os nacionais segundo seus interesses.

Para piorar a situação, este estrangeiro, sabendo que o Estado moçambicano não defende com veemência a integridade dos nacionais, quando houver intriga entre um nacional com estrangeiro correrá primeiramente para socorrer o estrangeiro não preto e, sem procurar querer saber o que é que houve, reprimirá o nacional. Estamos perante um povo sem autoestima, que não se conhece, mas em contrapartida quer e procura conhecer o Outro – este estrangeiro não preto.

Um povo colonizado na mente comporta-se deste modo, apesar de se visualizar a independência política e administrativa.

Os ingredientes da arrogância dos estrangeiros não pretos em Moçambique comungam para se sentirem acima das leis, línguas, religiosidade e culturas dos moçambicanos, pois tem ciência da sua “superioridade” e proteção do Estado moçambicano em relação ao cidadão moçambicano preto.

Vejamos que o mesmo grupo étnico que espanca moçambicanos sob a proteção do Estado e da cultura moçambicana que em nome do respeito ao estrangeiro camufla atitudes que podemos nomear como inferioridade, na Europa, América, Oceania e em países mesmo asiáticos eles nem ousariam praticar estas artes marciais contra os cidadãos destes países ou continente.

Em Moçambique praticam desmandos, pois sabem que mesmo um policial que é a autoridade do Estado, quando os aborda em via pública, usualmente o faz dentro de certo comportamento de “respeito”, “timidez” e, para piorar alguns policiais os tratam por PATRÃO!

Como é que um povo poderá se afirmar como nação com identidade própria e integridade se fará respeitar dentro da verticalidade ou horizontal formal com outros povos, se a priori entrega sua autoridade perante um estrangeiro branco, chinês, americano, brasileiro etc.?

Quantos moçambicanos já foram espancados por chineses nas obras estatais e que o Estado manifestou-se dentro do relativismo e muito menos expulsá-los do território nacional?

Muitos e muitos.

Quantas vezes cidadãos estrangeiros sul-africanos, Suazis entraram no território nacional perseguindo ou para matar um moçambicano e o governo não se manifestou com firmeza?

Quantas vezes nacionais foram humilhados e presos devido às queixas não investigadas dos estrangeiros não-pretos nas repartições empregatícias privadas?

Os absurdos envolvendo estrangeiros contra os nacionais têm uma lista enorme no território nacional. A mídia tem reportado estes absurdos. Um estrangeiro, chinês, europeu, paquistanês chegam a Moçambique e noutro dia já têm o bilhete de identidade moçambicana e passaporte. No dia seguinte já têm Bilhete de identidade e com naturalidade, por exemplo, de Gaza, Distrito de Makeze no interior, nas zonas rurais e nem sabe que língua se fala lá. Não será isso sinal de fraqueza do Estado?

Certamente que muitos dirão não, não, o nosso Estado não é frágil. Evidentemente não é frágil, pois sabe muito bem castigar, espezinhar um moçambicano, seu cidadão cujo na altura de coçar, da crise, o coagirá a pegar em arma para combater em nome da “integridade” e soberania territorial que o mesmo Estado permite que seja brinquedo dos estrangeiros, ou seja, alguns muitos chineses, europeus e americanos.

O Estado moçambicano e os moçambicanos necessitam de mudar a postura de inferioridade quando interagem com outros povos. Não se devem esconder nos discursos como – Hah, não! Temos que respeitar os estrangeiros para visitarem nosso país; os estrangeiros são nossos parceiros; são fonte de divisa; etc. etc., pois estes discursos constituem papo furado. Todos estrangeiros vêm à Moçambique porque têm interesses financeiros e querem status econômicos e mais nada. Se nosso país não fosse oportunidade visível nos dos negócios deles nenhum deles se faria por aqui em Moçambique.

Ademais, eles não são nossos parceiros. São sim, concorrentes nas oportunidades que se fazem em Moçambique. Disputamos com eles os nossos recursos e eles não estão para nos ajudar a construir o nosso país. Eles querem mais é, fazer a vida deles mais nada.

É nestes moldes que devemos mostra-los como é que deve ser o convívio para conosco e eles devem se sentir estrangeiros, pois são e, não estão em casa deles. Se nós vamos à seus países nos comportamos eticamente e é exatamente nestes moldes que devem viver em Moçambique. Para isso, como sociedade devemos reagir incisivamente e o Estado deve puni-los exemplarmente com pena de reclusão, cadeia e depois da saída expulsar de nosso país.

 
Solicitação: Se conhecer mais absurdos enumera nos comentários. Pode escrever em anonimato.

sábado, 25 de agosto de 2012

A POLÍTICA QUANDO ACOMPANHADA POR INTERESSES DE TRIBOS ∕ GRUPOS, PESSOAS IDÓNEAS PERDEM CREDIBILIDADE

Itai Meque e Manuel de Araújo trocam acusações no dia da cidade

Quarta, 22 Agosto 2012 00:00 Redacção
COSSA, Lourenço

A política quando é acompanhada por interesses obscuros cega as pessoas que outrora foram educadores e com credibilidade. A política mediante interesses de grupos restritos, tribo, em uma sociedade faz com que determinadas pessoas idóneas percam a credibilidade social.
Em um comício alusivo as festividades dos setenta anos (70) da elevação à categoria da Cidade de Quelimane, o governador da província da Zambézia, portanto, pertencente ao partido do governo central, Frelimo promoveu rixa discursiva com o Presidente daquela cidade municipal de Quelimane Prefeitura ao alertar os munícipes a terem cuidado com a edilidade, pois segundo este governador, a edilidade está a vender o município através de sua parceria com entidades estrangeiras, ou seja, “Se os munícipes não fizerem algo, a cidade poderá ser arrancada pelos cidadãos de outros países”; “quando a oferta é demais, o povo desconfia. Munícipes fiquem de olhos bem abertos, porque podemos perder a nossa cidade” Itai Meque, governador da Província da Zambézia.
Contextualizando o leitor, sabe-se que o município de Quelimane faz parte de duas autarquias que estão nas mãos de Presidente de um partido da oposição, o MDM e é governado por Manuel de Araújo, um jovem académico que conseguiu no permeio de poucos fundos e muito esforço vencer o partido governamental provincial e central de Moçambique, a Frelimo nas eleições intercalares, acontecidos no quarto trimestre de 2011.
Perante a este discurso é nos legítimo questionarmos que discurso é esse do governador da província de Zambézia? Como pode um docente universitário da Educação de profissão proferir palavras que reflete um não pensar e reflexão perante a sociedade?
Como seria se o Estado moçambicano se isolasse neste mundo, não se permitindo estabelecer parcerias que possam trazer o desenvolvimento, investimentos para seu país?
A resposta é simples, perante as dificuldades e carências em infraestruturas e finanças, um Estado sem parcerias seria inoperante e mergulharia e caos. Um caso concreto é precisamente o Estado moçambicano que recebe financiamento externo anual em forma de doações e empréstimos de países industrializados. O Orçamento do Estado recebe aproximadamente 47 a 55% do dinheiro externo para funcionar e, no entanto não é questionado ou acusado de vender o país.
Por outro lado, a sociedade civil moçambicana critica o secretismo dos contratos governamentais de todos os projetos de exploração de hidrocarbonetos, gás natural, carvão mineral, areias pesadas e outros minérios com as empresas multinacionais estrangeiras. O governo nunca dá ouvidos à mesma sociedade. 

Seria legítimo, na nossa ótica que povo moçambicano ou a sociedade civil questionasse ou colocasse o governo central na parede pelo facto do Presidente da República ter decidido conceder à Vale Moçambique Vale do Rio Doce, uma empresa multinacional extrativista, a atribuição definitiva do Uso e Aproveitamento e a concessão de todo o Corredor do Desenvolvimento de Norte à Vale, exclusivamente depois de um jantar na casa do presidente desta empresa Vale em junho durante o RIO + 20. Isso sim para nós trata-se de atentado a integridade e soberania do país e ao Estado Moçambicano. Além de constituir empecilho à concorrência e interesses dos pequenos investidores moçambicanos que desenvolvem seus negócios no percurso daquela linha de transporte ferroviária de mercadoria, isso sim mostra a venda de Moçambique, pois nenhum de nós moçambicanos sabe ao certo em que circunstância se chegou a "disponibilização" exclusiva da linha de transporte ferroviária de mercadorias que a priori devia servir interesses mais amplos de muitas empresas que exploram minérios no Norte do país na casa de um cidadão milionário brasileiro.
“Jantar em casa do presidente da Vale representa uma promiscuidade ao mais alto nível de um governante. O que devia ter acontecido é o presidente da Vale jantar na presidência da República à convite do Chefe do Estado. Um Chefe do Estado deve saber que é representante do Estado e não dos seus próprios interesses. Se quisesse jantar com o presidente da Vale, na sua casa, Guebuza podia-o fazer durante as suas férias, não aproveitar uma viagem do Estado para recepções anti-écticas” “MABUNDA, 2012).
A acrescentar a esta situação há que lembrar ao eleitor que de fato o país está na mesa do bazar, no Dumbanengue, mercado paralelo e não é de hoje. Em 2006, no princípio deste ano, a Vale reclamava da falta de atenção do Estado moçambicano no permeio das diversas companhias com haviam ganho a concessão para exploração dos mineiros. Foi neste cenário que o Brasil, através de seu governo fez uma doação de alguns milhares de dólares Reais ao Estado “moçambicano” em uma oferta suspeita. Seguidamente, o que se viu foi o desbloqueio de todos supostos empecilhos com o governo moçambicano. Certamente, esta oferta não foi amplamente difundida na mídia brasileira, pois logicamente desencadearia repúdio na população brasileira. Na verdade aquele montante se destinava exclusivamente ao desbloqueio das “sensibilidades”, permitindo o destaque desta empresa multinacional brasileira. Em nosso entendimento, esta conjuntura constituiu o prenúncio do que pode se chamar a “promiscuidade” do dirigente máximo do Estado moçambicano.
Em um período deste em que muitos Estados e Governos estão ávidos pela proteção da sua indústria de modo a projetar seu empresariado, a existência de Estados frágeis, corruptos é recebida com desvelo, pois permite que seus interesses se ampliam em pouco tempo e com menos gastos corrompendo um sujeito ou um grupinho de poder em países como Moçambique. Uma “ofertazinha” ao orçamento do “Estado” garante a drenagem de rios de divisa a seus países e a suas economias em detrimento de um projeto amplo dos países portadores de matérias primas. É a lei da selva, os mais fortes inteligentemente se dão bem, apesar da falta da ética destes e em detrimento dos supostos fortes, menos inteligentes e sem o senso comum do desenvolvimento das suas sociedades e países.
No Brasil e em muitos países onde resida a ordem, esta prática desencadearia CPI, cassação e Desgaste do Governo e do Presidente.
Perante a esta explanação muitos dirão que esta situação é normal, tratando-se de Moçambique que está a construir sua democracia. Nós não concordamos, pois não somos obrigados a andarmos de calhambeque num período em que se anda de Toyota Hilux. Não somos obrigados a estabelecermos a comunicação com nossos amigos usando o Nókia 2110 e 5110 enquanto que na atualidade circulam os Smartphone e Android. É necessário se combater práticas prejudiciais ao desenvolvimento comum, integrado de nosso país e fortalecer-se práticas políticas públicas que funcionam por meio de agenda comum, sem diferenciação entre partidos e grupos. Isto, certamente promoverá o desenvolvimento de nosso país e não de grupos restritos.
 
 
MABUNDA, Lázaro O QUE HÁ DE ERRADO NA RECANDIDATURA DE GUEBUZA, À PRESIDÊNCIA DO PARTIDO? In: Jornal "O PAÍS" – 06.08.2012
MEQUE, Itai. Itai Meque e Manuel de Araújo trocam acusações no dia da cidade. In: Jornal “O PAÍS” – 22.08.2012

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

TRABALHADORES MINEIROS SÃO MASSACRADOS PELA POLÍCIA NA AFRICA DO SUL


COSSA, Lourenço

Notícia que vem do continente africano dá conta de que aproximadamente trinta e seis (36) trabalhadores mineiros foram massacrados pela polícia na República da África do Sul. Os trabalhadores que hoje dia desaseis (16) de agosto de 2012 foram massacrados pela polícia manifestavam-se por melhorias salariais.
Da forma como as imagens da execução dos trabalhadores mineiros foram gravadas e mostradas emissoras da televisão nos faz voltar no tempo, a memória dos tempos da Apartheid, quando o governo minoritário branco-boer, empunhando armas de fogo contra a população civil executava sem nenhuma piedade a população sul-africana negra que queria a paz e liberdade de ir e vir em seu país. Passados 22 anos depois da soltura do Madiba Mandela da prisão perpétua, seguida pelas eleições integradoras dos povos sul-africanos que o colocaram como presidente exemplar para todo continente, as cenas de execução ao estilo branco-boer voltam à ribalta treze anos depois deste líder histórico entregar a presidência e poder na África do Sul.
Reza uma postura moderada da polícia em situações de estresse, mas com o uso de balas de borracha e com polícias de choque, portanto, forças preparadas para travar a fúria dos manifestantes, situação que não aconteceu nas manifestações dos mineiros sul-africanos hoje dia 16 de agosto de 2012. A polícia usou balas letais e com a intenção clara de matar. Esta certo que a polícia tem que se defender e sabemos que os sul-africanos são violento na sua forma de manifestar, mas a polícia como instituição do Estado deve ir acudir com precaução e preparado.


É legítimo questionarmos, afinal aonde vai esta África cujo seus líderes mobilizaram seus povos a lutarem contra a colonização de europeus para em contrapartida substituírem os com as mesmas práticas nefastas antes repudiadas?
Não quererão nos amostrar que a mobilização dos povos africanos para se rebelarem contra a colonização europeia visava apenas interesses umbilicais de tais lideranças, afinal os mesmos já tinham a formação idiossincrásica política, cultural e administrativa do colono?
Não queremos afirmar que todas as práticas políticas das lideranças do continente africano estejam deslocadas da governação que respeite as liberdades dos indivíduos. Existem países africanos que são exemplos de distribuição de renda, coesão social e política, mas nos últimos anos visualizamos situações desconfortáveis de práticas políticas nefastas contra os interesses dos povos africanos, negros a favor dos interesses de pequenos grupos de elites políticas o que compromete a estabilidade que estes povos almejam.
É tempo para a redefinição de uma África, a África Austral livre dos dogmas da humilhação de seus povos, do silenciamento, das ditaduras.

Atualização: Até esta data 21de agosto de 2012 contabiliza-se 44 trabalhadores massacrados impiedosamente pela polícia sul-africana.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

ACESSO AOS CÓDIGOS DAS CLASSES DOMINANTES versus COLONIZADORAS




É consensual entre muitos teóricos que as classes dominadas devem ter acesso aos códigos da cultura dominante. Contudo, há que referir que não se trata de ter acesso simplesmente, mas esse acesso deve ter um propósito definido e não para subjugar os dominados e despojá-los de suas línguas, culturas, identidades. A apropriação da língua estrangeira não deve servir como instrumento para eliminar a identidade dos colonizados, pois se isso acontecer estes mesmos povos depararão-se com muitos entraves para significar o mundo que os rodeia e consequentemente para se desenvolverem. A língua materna é um instrumento incontornável de desenvolvimento de um povo, comunidade, dado que permite a mobilidade dos sentidos, a abstração etc. Os teóricos já apontam que nenhum povo, criança conseguem se desenvolver de forma plena usando a língua segunda e, pior, em uma língua que foge dos padrões semânticos e sintáxicos da sua língua materna igualmente o que acontece em certos países africanos como Moçambique. As línguas europeias estão longe de possibilitar a escolarização plena e efetiva das comunidades africanas. Não digo que elas devem ser extintas e potencializar apenas as línguas africanas, mas sim, que devem conviver dentro da diversidade, afinal está é a realidade. O isolacionismo não faz parte deste momento histórico caracterizado pela circulação da informação em menos tempo ou com apenas um clic.
É fato que povos isolados de se fazerem, mostrarem-se e sentir o pulsar no mundo, das coisas, da informação fica fora do desenvolvimento. Sabendo isso porque não se potencializar as línguas africanas se as tecnologias de tradução estão mais avançadas? 
Porque os africanos veem apenas uma única forma e alternativa de se desenvolverem sufocando suas formas de significar o mundo?
Porque os africanos insistem em apropriar-se das teorias cartesianas da unidade apenas em uma língua, cultura, valores europeus em um momento histórico em que todo mundo enxergam a colocação no mercado sua cultura como fonte se atração?

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

OS MARATONISTAS AFRICANOS DÃO SHOW NO ENCERRAMENTO DAS OLIMPÍADAS DE LONDRES 2012 E OS INGLESES DÃO SHOW DA INCLUSÃO


Os maratonistas africanos, um de Uganda com medalha de ouro e dois de Kénya com as medalhas de prata e bronze, consecutivamente brilharam no encerramento das olimpíadas de Londres 2012.

é tempo ou ainda é tempo para que os governos africanos potencializem as práticas desportivas em seus países. Esta potencialização pode ser efetivada através do currículo escolar na disciplina de educação física. O aproveitamento inicial das potencialidades humanas podia ser nos esportes que exigem poucos investimentos em termos de recursos financeiros até aos que exigem mais finanças. As republicas do Kénya, etiópia, Uganda mostram como isso é possível. Devemos aprender com eles.

Nas olimpíadas de Londres os ingleses mostraram seu país como inclusivo onde cada grupo étnico, raça participa na construção da inglesia.

2016 é a vez do brasil. a pergunta que não quer calar é se esta inclusão irá se mostrar nos jogos olímpicos do rio de janeiro 2016, uma vez que até na televisão somos brindados com imagens de um país escandinavo de onde não existam, provavelmente, outros grupos étnicos ou raças além de brancos. É, nas telinhas, apenas vimos outras etnias na qualidade de “favelado” (comunidade), pessoas pobres, drogados e a polícia a invadir suas comunidades, procurando drogas, com mortes e choros por todo lado. Os indígenas brasileiros mostrados na qualidade de exóticos, pessoas que quando vistas a operarem meios tecnológicos parece caírem no engraçado, algo pouco conveniente.

Estas olimpíadas devem servir de aprendizado ao brasil e a todos nossos países africanos, pois apesar de termos tido a independência política, administrativa e “econômica” continuamos a nos digladiar uns aos outros.
Parabéns aos ingleses, ao continente africano que enviou seus povos a competir nos jogos de Londres, a Uganda e Kénya.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

LÍNGUA E DEMOCRACIA EM MOÇAMBIQUE



COSSA, Lourenço


A língua é um instrumento de interação e da participação da sociedade em uma nação, o que hipoteticamente pode projetar a possibilidade do desenvolvimento desta mesma. Esta participação nem sempre se faz presente em sociedades onde dentro do mesmo espaço territorial coexiste a diversidade linguística como, por exemplo, na s sociedade s moçambicana s.

Lembra-se que a maioria dos países africanos colonizados pelos países europeus, depois de conquistarem suas independências políticas, administrativas apropriaram-se das línguas dos colonizadores, transformando-as em línguas oficiais e, por vezes, sufocando as suas línguas nacionais conforme as políticas adotadas que na realidade pertence pertenciam às culturas ocidentais.

No permeio desta situação é legítimo indagar-se como é que essa mesma sociedade pode participar de seu meio na situação em que lhe é despida o instrumento que possa efetivar as trocas de saberes, neste caso, a sua língua materna.

Se pode verificar Este assunto é de suma importância, pois a sua abordagem pode provavelmente despertar nos que decidem em torno das políticas públicas a dar se mais visibilidade às línguas e culturas nacionais moçambicanas, afinal o desenvolvimento de um país não pode ser dissociada das línguas e culturas de seus povos.

Temos visto o uso das línguas nacionais nos comícios populares orientados pelos políticos, Presidente da República nos seus deslocamentos a diversos pontos do país até aos mais recônditos de Moçambique, distritos e localidades ou municípios e distritos municipais fora da zona predial da capital. O presidente ou outro membro do executivo orientam seus comícios usando a língua portuguesa, portanto estrangeira na visão ou ótica dos populares – a língua de valungo, dos brancos, ou seja, xilungo. Paralelamente a esta língua oficial adotada como língua que orienta o discurso público é muito comum e sempre se faz a tradução com um intérprete transmitindo em língua local que pode ser Xirhonga, Xitsua, Xichangana, Emácua, Echuabo, Xicena etc.

O Presidente ou a entidade que orienta o comício popular está para mobilizar, falar de certo assunto ao povo, às populações e faz isso, pois sabe que aquele povo não o irá entender se falar em apenas a língua oficial portuguesa, neste  caso xilungu-língua do branco.

O dirigente vai despejar saberes ou informações e muita coisa, sentidos emergem ou poderiam emergir naquela situação. No entanto, perde-se, pois as línguas não estão próximas. Existe o fosso entre elas.

Por um lado, a língua oficial de orientar os discursos públicos e por outro as línguas que medeiam os sentidos das populações, que trabalha em consonância com os valores, com as culturas, símbolos e a religiosidade.

Mediante a esta situação como é que as políticas de desenvolvimento que são concebidas e direcionadas ao povo que tem línguas próprias que se separam e não interagem com a língua oficial irão produzir os efeitos desejados na agricultura, no turismo e na produção de bens variados?

Será que um povo afastado da interação oficial com uso da sua língua é capaz de participar efetivamente na democracia ou na construção de seu país?

Ora, estas são questões relevantes e que merecem ser abordadas continuamente na s sociedade ∕ s moçambicana s, pois envolvem a vida de uma sociedade, de um povo. Por outro sabemos que discussão em torno de questão como essa é interminável devido à relações de poder que a língua envolve, afinal, os detentores da língua portuguesa sentem estar no centro das atenções, do poder, portanto, na situação de “igualdade” como seus herdeiros portugueses se sentiam perante ao nativo indígena falante das línguas vernáculas de Moçambique. Assim, a língua, ao mesmo tempo em que é um instrumento de troca, de interação, ela é por outro lado instrumento da diferenciação. Quando falo perante a um outro sujeito que não tem domínio dela, me sinto em cima e os sentidos que produzo são equidistantes do doutro e sobretudo, o outro enxerga-me em um lugar inalcançável. Ele, até gostaria de interagir em um patamar de igualdade comigo, mas se sente impotente, pois lhe falta este instrumento, língua estrangeira de que eu me apropriei e que orienta os sentidos públicos em Moçambique. Isso me coloca no patamar de poder ser, fazer e querer.

Esta posição, logicamente contrasta com o discurso utilizado para justificar a relevância ou necessidade da presença exclusiva da língua portuguesa, a estrangeira nos discursos oficiais, esta tomada como língua oficial e de Unidade Nacional.

A adoção da língua estrangeira europeia em Moçambique é tida como a solução para se contornar a diversidade linguística e cultural do país, afinal Moçambique tem aproximadamente dezenove (19) línguas distribuídas pelas onze (11) províncias, incluindo a capital do país, Cidade de Maputo que recebe a categoria de uma província. Nisto, depois da independência nacional em 1975, todas as línguas nacionais e seus falantes foram bombardeadas com nomes antirrevolucionários diversos, desde tribalismo, regionalismo etc. Nas escolas e salas de aulas, as crianças sofriam punições diversas se estas fossem surpreendidas a falarem ou a interagirem através das suas línguas maternas. As punições variavam desde palmatórias, reguadas (pequena tábua de madeira em que os professores utilizavam para bater), varas de arbustos, castigos diversos.

Todo este aparato da repressão física e mental contra as línguas e culturas moçambicanas se destinava para a construção de um país unido de Rovuma ao Maputo e do Índico (oceano) ao Zumbo sem a diversidade, mas sim com uma única língua, cultura, a nação moçambicana. Entretanto, as línguas e as culturas moçambicanas resistiram.

Mas é indubitável que a língua é um instrumento de poder e certamente que a elite política negra tenta incansavelmente colocar ou transmitir este poder na maioria dos moçambicanos falantes, ainda das línguas nacionais através da oficialidade exclusiva da língua portuguesa sobre as línguas nacionais.

Contudo, será que o falar da língua materna pode ser um sinal da divisão da sociedade moçambicana?

O que faz os moçambicanos serem uma nação não é o fato serem obrigados a falarem ou terem a língua portuguesa como oficial, mas sim é a partilha de uma mesma história, a colonização, mesmos heróis, a mesma luta travada para expulsão do colonialismo português, a divisão do mesmo espaço geográfico.

Lembra-se que atualmente, visualizam-se discursos que apontam a inconformidade entre os desníveis de desenvolvimento das regiões de Moçambique, algo que é verídico. Tais discursos são acompanhados pelos sentidos belicistas entre os moçambicanos naturais do norte do país e os do sul. Tais sentidos reclamam contra as lideranças do sul desde a independência  e o fato do norte de país ser a mais “pobre” região no país. Uma coisa é que tanto os que se sentem vítimas quanto os tidos como detentores de poder, constituem a elite linguística do poder através da língua estrangeira, portuguesa. As populações falantes das línguas nacionais estão fora destas discussões, mas em contrapartida as suas línguas são tidas como as que perigam a unidade do país.

As mesmas populações estão fora do jogo democrático e a sua contribuição na construção do país se dá por meio do trabalho árduo por detrás das suas enxadas.

Devido à sua exclusão linguística, ficam na maioria dos casos fora da informação, fora do discurso visual que caracteriza a era tecnológica.

No entanto, se as suas línguas fossem incluídas na oficialidade e na construção do país, certamente que produzir-se-ia informações que permitiriam o acesso às inovações tecnológicas de modo a produzirem com eficácia, abundantemente e sobretudo com informações de como comercializarem seus produtos. Sabe-se que um indivíduo aprende mais rápido e eficazmente na sua língua materna do que na língua segunda e pior na língua estrangeira sem conexão possível com o núcleo linguístico da língua a qual pertence.

Assim, as línguas nacionais poderiam ser instrumentos de poder e decisão na vida da maioria dos moçambicanos. Esta não deve ser usada apenas para a difusão de ideologias partidárias, mas sim para orientar todos os sentidos que possam desenvolver as populações moçambicanas.

Se a língua oficial se faz sentir nas populações a partir das traduções de intérpretes e assim dissemina seus valores, porque o contrário não pode suceder, das línguas nacionais se fazerem sentir na oficialidade através da interpretação, imprimindo, assim seus valores e simbologia?