sábado, 25 de fevereiro de 2012

A DIÁSPORA E A VOLTA AO CONTINENTE AFRICANO: Será uma questão patriótica?


Ah! Hoje é dia 25 de fevereiro de 2012. Estou aqui na minha casa pensativo, a reflectir acerca de uma conversa sucedida ontem com um amigo e conterrâneo africano. É costume considerarmo-nos irmãos conterrâneos ∕ próximos, africanos da África Subsaariana quando estamos  na diáspora.
Pois bem! A conversa teve início ao acaso. Eu Lourenço Cossa tinha me deslocado até a uma das casas dos estudantes na cidade de Porto Alegre com intuito de procurar informações acerca da hospedagem ou moradia naquela casa, já que eu recebera uma preocupação de um ex-aluno meu em Moçambique que brevemente virá a esta cidade cursar o mestrado na Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
Depois de receber as informações em torno do assunto que me levara até aquele lugar, me preparava para deixar o local, quando chega o amigo, conterrâneo africano da República Federativa da Nigéria que por sinal morra naquela casa estudantil.
Expondo o que me levara estar na casa, o referido estudante nigeriano clarificou-me mais sobre as condições e as possibilidades que possam favorecer a moradia do meu ex-aluno moçambicano. Amigos que somos, conversa estende ali e acolá e quase no final como costumo fazer, encorajei-o a prosseguir com os estudos referindo que nossos países precisam de nós.
O amigo da Nigéria, repentinamente desatou a discordar de mim e desatou a falar vigorosamente:
- Só se ajuda quem quer ser ajudado. Aqueles caras, os governantes não são sérios para com a questão coletiva de seus cidadãos. Não querem a nossa contribuição para o desenvolvimento do país. Querem, sim, que nós entremos nos seus esquemas de roubo e humilhação de nossos próximos.
O africano continua a falar:
- Eu estive na Nigéria há pouco tempo, ou seja, acabo de chegar aqui. Sabe? Eu tinha este pensamento de auxiliar ou contribuir no desenvolvimento de meu país, mas agora entendo por que muitos meus concidadãos desenvolvem negócios em outros países e não querem  voltar para lá.
Ao chegar ao aeroporto do meu país, sem mais nem menos fui batido pela polícia. Levei chamboco (cassetete) até urinar nas minhas calças e depois queriam que eu fosse a uma sala longe de olhar popular e eu neguei. Não se constatando nada de anormal em minha bagagem me torturaram psicologicamente, coagindo-me para dar dinheiro. Fui perante o dinheiro que lhes dei é que me soltaram para ir a minha casa.
Por mim, eu não volto lá nunca.
A corrupção está a olho nú. As lutas étnicas e religiosas estão em toda parte, a irresponsabilidade dos governantes está à vista. Quê eu  posso fazer lá? Questionou o amigo nigeriano e prosseguiu:
- Há falta do que é básico como saneamento na minha zona. Há falta da eletricidade e o mais agravante é o governo que queria aumentar os preços de combustíveis, encarecendo a vida das populações. Cara! Eu não.
Os governantes roubam descaradamente, tudo as vistas de quem quer ver e, sem medo de nada e de ninguém.  Pensam que aquilo é deles.
O conterrâneo continental africano relatava o sucedido para com ele mesmo em sua terra natal e mostrava se revoltado, mas ao mesmo tempo seguro de que o que falava ali não lhe faria correr os riscos da repreensão. Nenhum o haveria de apreender ou lhe fazer mal por aquilo que falava.
Existe ainda a falta de liberdade de expressão em alguns países africanos. Jornalistas são perseguidos, torturados ou mortos. O acesso à informação é ainda um problema nalguns países.
Puxa vida! Aquilo que o conterrâneo continental falava era algo não muito distante de mim. Apesar de haver uma aparente abertura das autoridades governamentais de Moçambique, persistem, ainda muitos atropelos às liberdades dos indivíduos. Em muitos casos, em Moçambique, o cidadão é apeladoobrigado a cumprir com as suas obrigações, mas em contrapartida obrigado a abrir mão de seus direitos consagrados na carta dos Direitos Humanos e na Constituição da República.
Lembrei-me de um dia ter presenciado entre os meses de janeiro a março de 2011, quando passava pelas ruas da baixa da capital de Moçambique - Maputo, um grupo de soldados (suponho que eram soldados, afinal traziam consigo a farda militar) a humilhar, bater jovens.
Ah! Lembro-me ainda da notícia que circulou no jornal eletrônico canalmoz, dia 17 de fevereiro de 2012, se a memória não me trai - elementos das Forças de Intervenção Rápida (FIR) aterrorizam moradores da cidade de Manica.
Recordo-me das apreensões sucessivas do líder dos Desmobilizados de Guerra, o sr. Hermínio dos Santos, cujo a culpa é supostamente o querer usufruir do seu direito à greve, algo plasmado na Constituição da República.
Antes de finalizar minha reflexão, meu pensamento visualizou a notícia desta semana que aborda em torno aos descontos salariais ilícitos (na folha de salários) dos professores da rede estatal em Murrupula, descontos roubo esse s efectuado  s a mando do partido FRELIMO que governa Moçambique desde a independência nacional em 1975.
Paralelamente a tudo isso, persiste no país a corrupção quase que institucional, assolando todos moçambicanos. Esta corrupção contaminou o tecido social, os funcionários públicos estatais em todos os níveis e sectores:
- Educação;
-Saúde;
- Segurança interior;
Entre outros.
Todos estes males sociais constituem preocupação de todos africanos, seja, nigerianos, moçambicanos, angolanos, etc. etc. que aspiram por uma África livre onde haja a paz, a liberdade de expressão, continente desenvolvida com um desenvolvimento que se reflecte na vida de seus povos, África com saneamento básico, educação de qualidade, segurança de seus povos, Portanto, um continente onde seus povos não aceitam mais as manipulações internas e externas que agridam seus próximos.
Democracia Hoyéééééé

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