sábado, 28 de julho de 2012

CADA POVO MERECE SEUS GOVERNANTES

COSSA, L.
Costuma-se dizer que cada povo merece seus presidentes ou lideranças.
Ora, esta afirmação pode suscitar repulsa ou filiação, pois os sentidos que carregam não constituem a linearidade ou unanimidade. Isto tem razão de ser, uma vez que dos sentidos que este excerto porta, existem diversos valores, práticas, culturas e, sobretudo, sistemas de poder e manipulação cujo nem sempre os desejos, vontades das populações ou das sociedades sobressaem. Em muitos casos as vontades e desejos das sociedades podem ser submetidos à manipulação ou sistemas ideológicos pré-formatados com determinados objetivos que fogem de controle das mesmas sociedades.
Mas porque falar deste assunto pouco confuso?
A resposta é que li, recentemente, em um jornal eletrônico de Moçambique um comentário em que um internauta destaca: “temos o governo que merecemos”, ou seja, governo é reflexo da sociedade moçambicana.
Este enunciado pôs-me a refletir na tentativa de encontrar aproximações no que é ou pode ser o meu posicionamento face aos contextos as quais eu pertenço. Estes contextos são caracterizados pelas carências excessivas, falta de saneamento básico, transporte público decente e em quantidade, segurança, atendimento hospitalar condigna na qual o cidadão ao se deslocar ao hospital tem a máxima certeza que tudo irá correr bem, a ausência de facilidades nas tramitações de processos de extrema vitalidade para a vida de um citadino e que não obrigue a pagar refresco suborno nas instituições públicas e, sobretudo o respeito pelo próximo nas interações sociais.
Bom! Será que este enunciado revela a realidade das sociedades no mundo?
Não é fácil aceitarmos estes dizeres como parte de nós, pois são poucas pessoas que aceitam reconhecer a cumplicidade em práticas vergonhosas. Muitos de nós adoramos ser ovacionados, mesmo que nossas atitudes e comportamentos estejam deslocados dos valores consensualmente bonificados pelas sociedades.
Assim, a primeira atitude é questionarmos como é que um governo pode ser reflexo de seu povo?
Se é, quererá se dizer que quando um governo governa com responsabilidade e um olhar para seu povo, implica, isso que seu povo é responsável e atencioso para com as questões sociais?
Se um governo é corrupto e com descaso para com seus povos, quererá, com isto referir que as sociedades onde este governo esteja inserido, caminha fora da ética, moral ou que seus “cidadãos” estão descabidos de noções básicas do respeito aos seus pares?
Como se nota, é um assunto bastante controverso e a nossa posição tentará trilhar pelo caminho do que considera de interesse comum, segundo a nossa constituição, como sujeito com várias identificações.
De fato faz sentido os sentidos que apontam o governo como reflexo de povo, pois os elementos que fazem parte do governo saem do mesmo povo. Os elementos do governo pertencem aos mesmos valores, cultura.
Faz sentido, dado que se não fosse, certamente que as mesmas sociedades iriam-se posicionar com vigor contra práticas que consideram deslocadas de seus valores. Poderia, por exemplo, se opor contra todas as formas de exclusão política, econômica e regional se de fato, estas práticas fossem contrárias a sua identificação. De acordo com minhas interações como membro de uma determinada sociedade, por vezes constato que são poucas pessoas que se manifestam contrários a interesses alheios de alguns governantes de nosso Moçambique. É frequente ouvir discursos de conselhos como – come, come e come. A vida é assim mesmo, sobrevivem os mais fortes. Isso é a cadeia normal de uma sociedade.
Se em uma sociedade reinar o roubo e a corrupção generalizada praticada em todos os sectores da sociedade civil e por políticos, estamos em presença da identificação governo e seu povo.
Por exemplo, em Moçambique, passa-se a impressão que aponta que a maioria das pessoas toleram ações nefastas e desfavoráveis aos interesses comuns das sociedades moçambicanas. Com isto podemos aceitar que de fato merecemos os nossos governantes.
Se é que merecemos, podemos aceitar confortavelmente que estamos condenados ao sofrimento eterno, pois merecemos ser governados deste jeito. Consentimos a falta das carências enquanto assistimos o desbanjamento dos bens públicos, afinal mesmo se eu nós estivéssemos lá fariamos o mesmo. Deste modo não há razão de nos queixarmos ou reclamar, reinvendicar qualquer melhorias nos itens acima apontandos que constituem as carências. Também podemos referir que não é bem o reflexo, pois se é que os povos não são reflexos de seu governo, certamente que não haveria a instabilidade, pois várias rebeliões sucederiam ciclicamente contra as lideranças. Assim, podemos apontar que estas posições e valores se imbricam. Um governo é reflexo de seu meio social, mas também pode emergir durante a sua governação posições contrárias, deslocadas à sua administração e este se tornando não reflexo da sociedade onde esteja inserida devido aos excessos.
Quando se houve de todos os lados coros de denúncias, reclamações, sugestões não tomadas com atenção ou encaradas com certa arogância, bem como o agudizar das necessidades dos cidadãos em torno do campo de atuação do governo, pode ser o caminho do colapso entre a sociedade-governo.

sábado, 21 de julho de 2012

MOÇAMBIQUE É UM PAÍS DAS OPORTUNIDADES

COSSA, L.

Os últimos anos têm sido marcados pela integração econômica e identificações entre vários povos e etnias em um advento nomeado como a internacionalização das economias. Um dos elementos dessa integração é a economia se visualizando através da produção e consumo de bens. Todo este processo é mediado pelos investimentos, oportunidades de negócios, demandando assim os recursos humanos capacitados a empreender, ou seja, a se lançar no mundo de negócios de forma criativa, inventiva e, sobretudo com trabalho e ousadia.

Indicadores econômicos apontam que Moçambique cresce anualmente acima dos 5 a 7 dígitos ao ano. Paralelamente a esta situação econômica, o país tem sido a rota de grandes investimentos nas áreas da indústria extrativa, onde grandes jazidas de hidrocarbonetos são descobertas e anunciadas em pouco espaço de tempo, na agricultura, na indústria de transformação. Devido à sua localização geográfica e passagem quase obrigatória entre vários continentes, América, Europa, Ásia e Oceania, vários investidores o situam como ponto estratégico na mobilidade dos negócios. As potencialidades são imensas, tanto em suas terras que são férteis quanto nos seus povos.

É no permeio destas todas as potencialidades que se fazem sentir que a nossa abordagem irá se centrar como forma de cutucar os povos e governantes do país carinhosamente chamado Pérola do Índico para a criação de mecanismos que conduzam os mesmos a detectarem e aproveitarem as oportunidades dos negócios que Moçambique oferece através de práticas empreendedoras. Para que o país aproveite as suas potencialidades é necessário a existência de pessoas com capacidades para empreender, ou seja, pessoas capazes de fazerem, segundo Joseph Schmpeter, “as novas coisas acontecerem” (Joseph SCHMPETER, 1934 apud FERREIRA, 2010 p.25).

Para que isso aconteça um “sistema de educação-ensino-formação de elevada qualidade e exigência é crucial para o potencial inovador de um país. A educação em empreendedorismo também é necessária para ajudar a alterar a cultura nacional e para formar pessoas com capacidades efetivas para o empreendedorismo” (FERREIRA, 2010 p.7).

Nesta ordem das coisas há que dar palmatória às políticas governamentais de desenvolvimento humano nas nações moçambicanas, uma vez que se observa uma cultura quase exclusiva de espera pelo emprego e não ao aproveitamento das potencialidades que o país tem em termos da realização do bem-estar dos moçambicanos. Espera-se, por exemplo, que grandes latifundiários estrangeiros venham e abram empresas e fazendas para empregar o nacional em detrimento de se potencializar o nacional em tecnologias de produção eficiente dentro da perspectiva de produtor rural, por exemplo. Espera-se que estrangeiros com capacidades financeiras assinaláveis venham abrir estâncias turísticas, lodges, para dar emprego e consequentemente possibilitar impostos para a máquina governamental em detrimento de formar os nacionais, as povoações ribeirinhas dos lagos, rios e praias em matérias ligadas ao turismo sustentável, gestão de negócios de modo a não se colocar estes nacionais à margem do capital. Lembra-se que um povo excluído de suas riquezas pode em determinado momento se rebelar e ver estes investimentos e investidores como usurpadores de suas riquezas e assim cultivarem o xenofobismo.

É pertinente a necessidade de se preparar ou formar as populações ou comunidades rurais e citadinas em matéria da visão a detenção e aproveitamento das oportunidades de negócio em Moçambique. Segundo Ferreira (op.cit), a percepção dos indivíduos em torno das suas capacidades, conhecimentos, competências, habilidades, saber fazer para serem bem-sucedidos como empreendedores influencia a criação de novas empresas.

Poderia afirmar, segundo minhas experiências nas interações sociais, no convívio do dia-a-dia que em Moçambique observa-se o comportamento social de não se olhar nas oportunidades de negócio que o país oferece. Apesar de haver mudanças acentuadas na matéria do empreendedorismo, já que o mercado de trabalho que mais absorve a mão de obra ou que proporciona o emprego é o setor do mercado informal, com muitos moçambicanos a comercializar bens comercializáveis, ainda visualizam-se políticas e comportamentos tímidos de dar-se mais atenção à formação dos recursos humanos, na gestão eficiente, na formação continuada em tecnologias de precisão, na produção de bens de consumo, nos incentivos, fiscais, de importação de insumos de produção, na eliminação da burocracia para os sujeitos se lançarem no mercado de trabalho ou no empreendedorismo. Em um país como Moçambique é mais fácil comprar um carro, seja da primeira mão carro zero do que um trator. Provavelmente esta situação pode acomodar elementos da sociedade com potencialidade de serem investidores.

Entretanto, ainda se observa a falta de atitudes ousadas nos jovens e adultos. A formação escolar não projeta nos moçambicanos atitudes criativas, imaginativas e inventivas. Há que se dar mais destaque ao ensino que promova estas qualidades no currículo escolar. É necessário que se administre conteúdos que façam com que os indivíduos observam seu meio com outro olhar, que projete a intervenção em uma situação dada. Moçambique é um país com muitas insuficiências que não são satisfeitas ainda e, “as necessidades insatisfeitas são sempre bons espaços para o surgimento de novas empresas empreendedoras” (op.cit, p.4)

 Nas interações cotidianas é fácil ver indivíduos a direcionarem suas práticas no lazer, na bebedeira, na curtição, coleção de mulheres. Ainda que não sejam todas as pessoas, já me acostumei de ver indivíduos com certas capacidades financeiras como não submersas ao entretenimento acima referido ou não a nenhum e, que quando abordados acerca do empreendedorismo a primeira reação é: Cadê finanças para eu investir?

Podemos considerar esta reação como normal, pois se trata de um assunto quase novo socialmente, afinal as pessoas cresceram e se constituíram nos últimos cinquenta (50) anos, provavelmente, num sistema em que o empregador é ou deve ser um mulungobranco. As pessoas esperam um mulungo para abrir empresas para poderem trabalhar – fazer qualquer coisa patrão!

Uma particularidade que merece destaque no país chamado Moçambique é a possibilidade de qualquer moçambicano poder adquirir a terra, bastando formular e apresentar um projeto de negócio capaz de promover o desenvolvimento do país sem custos exagerados como acontecem em outros cantos. Oficialmente, a terra em Moçambique “é do Estado”, portanto, não é susceptível de especulação e qualquer nacional que tenha capacidade de investir pode ser investidor.

Moçambique está a crescer e é nesta situação que demanda a formação dos recursos humanos com capacidades de explorarem suas potencialidades, de aproveitar as oportunidades que se fazerem tanto, no turismo, na indústria de transformação, no agronegócio, na prestação dos serviços, nas tecnologias de informação, na indústria extrativa, etc. Moçambique é um país das oportunidades.

É pertinente realçar que tais oportunidades necessitam de indivíduos formados e com capacidades de detectarem tais oportunidades, pessoas que possam se envolver no trabalho com determinação, com capacidades de desenharem projetos exequíveis e bem elaborados, tendo em conta o planejamento dos negócios, todos os procedimentos produtivos, do marketing, do mercado, da gestão eficiente e todas as etapas produtivas. Moçambicanos ousados e despostos para trabalharem.

Sabe-se que tais qualidades de saberes e atitudes, ainda faltam. Esta falta não advém da incapacidade, na nossa natureza, mas sim da formação enciclopédica característica do ensino em Moçambique. Falta a formação virada para o empreendedorismo.

Empreendedorismo não como conhecimentos abstratos somente, mas sim conhecimentos acoplados às atitudes, práticas sistematizadas, tendo em consideração técnicas de gestão de negócios e conhecimento profundo do local, do que acontece na região e à nível internacional de modo a sabermos explorar as oportunidades de negócios presentes em Moçambique e nos países da região. De acordo com o consultor do Sebrae-SP, Renato de Andrade, a parte técnica é importante e pode ser aprendida. A atitude empreendedora, porém, ou “vem de berço” ou uma pessoa precisa ter muita vontade para mudar, pois “empreender é realizar visões. É preciso ser curioso, enfrentar riscos, conseguir prever situações, ter metas bem definidas e uma boa rede de relacionamentos” (ANDRADE, 2006 – Estado de S.Paulo).

Localmente, se observa que existe aderência dos jovens a cursos superiores de gestão, administração de empresas, finanças, mas com objetivos virados para o ser-empregado-passivo e não para gestão da sua empresa. Por vezes, consideram-se estes cursos empresariais desapartados do carácter empreendedor ou que projetassem indivíduos preparados para terem olhos e se lançarem nas oportunidades de negócios e empreender.

Recentemente, há quatro anos, o governo encenou a introdução no currículo do Sistema Nacional de Educação da disciplina transversal de empreendedorismo em regime de matérias extracurriculares, algo que é de se desejar.

Contudo, a questão que se coloca é como esta cadeira de disciplina curricular avançará com docentes pouco qualificados para tal e sem uma estrutura que promova mudanças ou alteração dos ritos, da cultura interna que é passiva e pró-empregado e que afeta o mesmo professor? Esperemos para ver os resultados desta disciplina.

Sabe-se que este tipo de “incentivo” estrutural de mudança comportamental tendente ao aproveitamento das oportunidades de negócios não deverá se restringir, apenas na introdução no currículo escolar de uma disciplina relacionada ao empreendedorismo, mas sim, se criar outras instituições que deem suporte a provável desejo empreendedor.

Um ponto que considero vital seria, provavelmente, a criação de instituições viradas para a orientação empresarial, desenvolvimento e administração de cursos de baixo custo ou não pagas nas províncias e distritos. Paralelamente, disponibilizar-se-ia profissionais que acompanhassem, periodicamente, o desenvolvimento dos projetos dos pequenos e grandes produtores, pois em muitos casos é fácil ter uma ideia e abrir o negócio, mas é muito difícil manter o negócio. Em países como o Brasil, de acordo com o Serviço de Apoio às Micros e Pequenas Empresas (Sebrae), em cada 100 empresas abertas 35% deles não completam 1 ano de vida empresarial; 46% dos que sobreviveram ao primeiro ano não completaram 2 anos de vida empresarial; e 56% dos sobreviventes ao segundo ano desaparecem aos 3 anos de vida empresarial.

Desta forma, julgamos que uma população formada dentro do espírito empreendedor no verdadeiro sentido, acima descrito é capaz de se lançar nos negócios com poucas finanças. A história da humanidade está cheia de exemplos de indivíduos ricos que começaram do nada e hoje estão no pódio empresarial, ou seja, pessoas que tem a capacidade de criar uma empresa do nada. (MANCUSO, 1974).

Um trabalho de casa para o governo, a máquina legislativa é colocar à disposição, leis que facilitem e estimulem tais práticas de empreendedorismo, bem como a criação das infraestruturas necessárias, estradas para permitir a logística e as trocas comerciais e, sobretudo a criação dos mecanismos fiscais que protejam os produtores para a comercialização de seus produtos. O governo deve criar condições que o faça arbitro para que haja negócios e comércio justo.

Considero que é altura de moçambicanos, jovens e adultos ousarem e tomar conta do que Moçambique possui. O tomar conta não significa abocanhar, atrapalharem pessoas que querem trabalhar, mas empreender, aproveitar as potencialidades que o país possui no agronegócio, prestação dos serviços, indústria, etc. Pedra a Pedra construindo novo dia.

FERREIRA, Manuel Portugal. Ser empreendedor, criar e moldar a nova empresa: exemplos e casos brasileiros Manuel Portugal Ferreira, João Carvalho Santos, Fernando A. Ribeiro Serra. – São Paulo: Saraiva, 2010.
Iniciando Pequeno e grande negócio – Sebrae - ANDRADE, 2006 – Estado de S.Paulo.

Iniciando Pequeno e grande negócio – Sebrae - MANCUSO, 1974

sábado, 7 de julho de 2012

A TRANSPARÊNCIA NO SECTOR PÚBLICO: A contradição da sociedade.

No princípio de julho, sindicatos da função pública entraram com ações e recursos judiciais na pretensão expressa de obrigar as prefeituras e outras agências estatais a não divulgarem seus ordenados. Estas entidades justificam sua ação ser para protelar e preservar a privacidade dos indivíduos, uma vez que segundo eles, os funcionários estatais como polícias, educadores podem sofrer chacotas, gozação da sociedade ou dos infratores e isso catalisar práticas de subornos.
Esta justificativa contrasta com o saber cotidiano, pois todos os membros da sociedade brasileira sabem que o policial e o professor recebem mal e por outro lado, como é que a mesma sociedade exige a transparência do político e em contrapartida não quer que seu salário fique exposto na transparência. Em nossa análise singela constatamos a faca de dois gumes, por um lado o político deve declarar seu salário, mas por outro, o cidadão deve viver às escondidas. Afinal quem é o político? Será este um indivíduo que caiu do céu e não desta mesma sociedade?
Práticas de transparência devem envolver toda a sociedade, presidentes, ministros, prefeitos, secretários, deputados, senadores, vereadores, juristas, médicos, professores, até o cidadão comum.
Só para se ter uma ideia, a transparência através da divulgação de salários com os respectivos nomes dos funcionários nas prefeituras e em outros órgãos públicos divulgadas recentemente à sociedade brasileira fizeram emergir práticas de superfaturamentos salariais. Em Brasília divulgou-se uma situação em que um médico auferia aproximadamente R$ 70000,00 trabalhados em 15000 horas extras. O leitor poderia questionar como um sujeito imortal poderia trabalhar 15000 horas por semana ou por mês?
A transparência vê exatamente para prevenir casos desta natureza, portanto, corruptas aqui no Brasil como em nossos países.  
Lembro-me do antigo ministro das Obras Públicas e Habitação, o Felício Zacarias e o ainda atual ministro das Finanças que tiveram a coragem de divulgar na mídia, em público os seus bens e propor para quem quiser ver seu capital e comparar em todas suas ações executivas ministeriais, atitude que não caiu no bom agrado nos restantes políticos em Moçambique.
COSSA, L.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

MILITARES DAS FORÇAS ARMADAS DE MOÇAMBIQUE VIOLENTAM A POPULAÇÃO?

Terça, 03 Julho 2012 00:00 André Manhice
 
 
 ...(Estou a respirar pausadamente) Com esta notícia do Jornal O País, quero tentar entender esta fúria dos populares residentes no bairro Mahlampswene, um bairro dos arredores da Cidade da Matola, uma cidade vizinha da Capital do país - Maputo Moçambique.
Os Populares estão agastados das atrocidades cometidas contra eles pelos militares, as forças armadas de Moçambique aquarteladas em um quartel militar próximo as suas residências. As populações apontam que os elementos das forças armadas de Moçambique aquartelados no quartel de Mahlampswene  espanca-os violentamente (Todo espancamento é violento) sem motivo, insulta-os e estupra as jovens residentes naquele Bairro.
No jornal O País do dia 3 de julho, os populares contam que estas ações nefastas aconteceram sempre e nunca foram responsabilizados por tais atos bárbaros. Na última segunda feira, os militares saíram do seu quartel, espancaram nove (9) residentes, estupraram duas (2) jovens, invadiram residências e furtaram eletrodomésticos, celulares e dinheiro dos residentes ao redor do quartel.
Os populares tentaram em vão manifestarem-se defronte do quartel sem retorno.
Perante a esta notícia uma questão se coloca:
- Perante a estes atos bárbaros ciclicamente cometidos qual é o posicionamento do estado/governo moçambicano?
- O que é que a justiça moçambicana faz para terminar com estes desmandos nefastos destes elementos do estado moçambicano?
Usualmente, as forças armadas de um determinado país representam a defesa territorial, a ajuda da sociedade no combate aos fenômenos naturais, socorro e assistência no sector da saúde. Práticas de salvamento e construção de infraestruturas sociais acontecem e são merecidamente reconhecidas pela população moçambicana.
Contudo, práticas de violência também constituem a memória dos moçambicanos desde o tempo colonial. Antes da independência e pós-independência os moçambicanos vivenciaram a violência praticada pelos colonos, forças governamentais em Moçambique independente assim como do antes movimento de guerrilha, a Renamo.
Fim da guerra civil em 1992, o país entrou no que se considerava a nova era, a democracia multipartidária. As forças armadas foram estruturadas e transmitiram a sensação da segurança nas populações. Estas forças armadas são vistas nos últimos anos nos salvamentos como o que ocorreu neste ano com o corte da Estrada Nacional Número (1) um, nos trabalhos da reposição da estrada da KaTembe próximo a Hotel Galeria Marisol dentre outras.
Hoje somos brindados com esta notícia nefasta de nada animador quanto à credibilidade destes homens. A População de Mahlampswene manifesta que não os quer mais naquelas mediações. De heróis que já eram vistos passam a incorporar o papel de vilões.
É oportuno que as instâncias governamentais responsabilizem os elementos das forças armadas com conduta nefasta e bárbara contra a população moçambicana. O povo de Moçambique está preocupado pela construção de um estado de direito e não ditatorial, daí que ações cumulativas desta natureza já deviam ter solucionado há bastante tempo. O governo moçambicano, o Ministério da Defesa e em particular o Chefe do Estado Maior General Macaringue, um homem educado e inteligente devem entender que é a credibilidade do estado moçambicano que está em jogo, pois será chamado à responsabilidade pelos organismos dos direitos humanos nacionais e estrangeiros e nada valerá refutar as acusações ou vitimar-se, pois ao deixar que existam estes desmandos e agressões contra a população mostram a impotência na governação do país.

Cossa, L.