quinta-feira, 5 de julho de 2012

MILITARES DAS FORÇAS ARMADAS DE MOÇAMBIQUE VIOLENTAM A POPULAÇÃO?

Terça, 03 Julho 2012 00:00 André Manhice
 
 
 ...(Estou a respirar pausadamente) Com esta notícia do Jornal O País, quero tentar entender esta fúria dos populares residentes no bairro Mahlampswene, um bairro dos arredores da Cidade da Matola, uma cidade vizinha da Capital do país - Maputo Moçambique.
Os Populares estão agastados das atrocidades cometidas contra eles pelos militares, as forças armadas de Moçambique aquarteladas em um quartel militar próximo as suas residências. As populações apontam que os elementos das forças armadas de Moçambique aquartelados no quartel de Mahlampswene  espanca-os violentamente (Todo espancamento é violento) sem motivo, insulta-os e estupra as jovens residentes naquele Bairro.
No jornal O País do dia 3 de julho, os populares contam que estas ações nefastas aconteceram sempre e nunca foram responsabilizados por tais atos bárbaros. Na última segunda feira, os militares saíram do seu quartel, espancaram nove (9) residentes, estupraram duas (2) jovens, invadiram residências e furtaram eletrodomésticos, celulares e dinheiro dos residentes ao redor do quartel.
Os populares tentaram em vão manifestarem-se defronte do quartel sem retorno.
Perante a esta notícia uma questão se coloca:
- Perante a estes atos bárbaros ciclicamente cometidos qual é o posicionamento do estado/governo moçambicano?
- O que é que a justiça moçambicana faz para terminar com estes desmandos nefastos destes elementos do estado moçambicano?
Usualmente, as forças armadas de um determinado país representam a defesa territorial, a ajuda da sociedade no combate aos fenômenos naturais, socorro e assistência no sector da saúde. Práticas de salvamento e construção de infraestruturas sociais acontecem e são merecidamente reconhecidas pela população moçambicana.
Contudo, práticas de violência também constituem a memória dos moçambicanos desde o tempo colonial. Antes da independência e pós-independência os moçambicanos vivenciaram a violência praticada pelos colonos, forças governamentais em Moçambique independente assim como do antes movimento de guerrilha, a Renamo.
Fim da guerra civil em 1992, o país entrou no que se considerava a nova era, a democracia multipartidária. As forças armadas foram estruturadas e transmitiram a sensação da segurança nas populações. Estas forças armadas são vistas nos últimos anos nos salvamentos como o que ocorreu neste ano com o corte da Estrada Nacional Número (1) um, nos trabalhos da reposição da estrada da KaTembe próximo a Hotel Galeria Marisol dentre outras.
Hoje somos brindados com esta notícia nefasta de nada animador quanto à credibilidade destes homens. A População de Mahlampswene manifesta que não os quer mais naquelas mediações. De heróis que já eram vistos passam a incorporar o papel de vilões.
É oportuno que as instâncias governamentais responsabilizem os elementos das forças armadas com conduta nefasta e bárbara contra a população moçambicana. O povo de Moçambique está preocupado pela construção de um estado de direito e não ditatorial, daí que ações cumulativas desta natureza já deviam ter solucionado há bastante tempo. O governo moçambicano, o Ministério da Defesa e em particular o Chefe do Estado Maior General Macaringue, um homem educado e inteligente devem entender que é a credibilidade do estado moçambicano que está em jogo, pois será chamado à responsabilidade pelos organismos dos direitos humanos nacionais e estrangeiros e nada valerá refutar as acusações ou vitimar-se, pois ao deixar que existam estes desmandos e agressões contra a população mostram a impotência na governação do país.

Cossa, L.

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