sábado, 21 de julho de 2012

MOÇAMBIQUE É UM PAÍS DAS OPORTUNIDADES

COSSA, L.

Os últimos anos têm sido marcados pela integração econômica e identificações entre vários povos e etnias em um advento nomeado como a internacionalização das economias. Um dos elementos dessa integração é a economia se visualizando através da produção e consumo de bens. Todo este processo é mediado pelos investimentos, oportunidades de negócios, demandando assim os recursos humanos capacitados a empreender, ou seja, a se lançar no mundo de negócios de forma criativa, inventiva e, sobretudo com trabalho e ousadia.

Indicadores econômicos apontam que Moçambique cresce anualmente acima dos 5 a 7 dígitos ao ano. Paralelamente a esta situação econômica, o país tem sido a rota de grandes investimentos nas áreas da indústria extrativa, onde grandes jazidas de hidrocarbonetos são descobertas e anunciadas em pouco espaço de tempo, na agricultura, na indústria de transformação. Devido à sua localização geográfica e passagem quase obrigatória entre vários continentes, América, Europa, Ásia e Oceania, vários investidores o situam como ponto estratégico na mobilidade dos negócios. As potencialidades são imensas, tanto em suas terras que são férteis quanto nos seus povos.

É no permeio destas todas as potencialidades que se fazem sentir que a nossa abordagem irá se centrar como forma de cutucar os povos e governantes do país carinhosamente chamado Pérola do Índico para a criação de mecanismos que conduzam os mesmos a detectarem e aproveitarem as oportunidades dos negócios que Moçambique oferece através de práticas empreendedoras. Para que o país aproveite as suas potencialidades é necessário a existência de pessoas com capacidades para empreender, ou seja, pessoas capazes de fazerem, segundo Joseph Schmpeter, “as novas coisas acontecerem” (Joseph SCHMPETER, 1934 apud FERREIRA, 2010 p.25).

Para que isso aconteça um “sistema de educação-ensino-formação de elevada qualidade e exigência é crucial para o potencial inovador de um país. A educação em empreendedorismo também é necessária para ajudar a alterar a cultura nacional e para formar pessoas com capacidades efetivas para o empreendedorismo” (FERREIRA, 2010 p.7).

Nesta ordem das coisas há que dar palmatória às políticas governamentais de desenvolvimento humano nas nações moçambicanas, uma vez que se observa uma cultura quase exclusiva de espera pelo emprego e não ao aproveitamento das potencialidades que o país tem em termos da realização do bem-estar dos moçambicanos. Espera-se, por exemplo, que grandes latifundiários estrangeiros venham e abram empresas e fazendas para empregar o nacional em detrimento de se potencializar o nacional em tecnologias de produção eficiente dentro da perspectiva de produtor rural, por exemplo. Espera-se que estrangeiros com capacidades financeiras assinaláveis venham abrir estâncias turísticas, lodges, para dar emprego e consequentemente possibilitar impostos para a máquina governamental em detrimento de formar os nacionais, as povoações ribeirinhas dos lagos, rios e praias em matérias ligadas ao turismo sustentável, gestão de negócios de modo a não se colocar estes nacionais à margem do capital. Lembra-se que um povo excluído de suas riquezas pode em determinado momento se rebelar e ver estes investimentos e investidores como usurpadores de suas riquezas e assim cultivarem o xenofobismo.

É pertinente a necessidade de se preparar ou formar as populações ou comunidades rurais e citadinas em matéria da visão a detenção e aproveitamento das oportunidades de negócio em Moçambique. Segundo Ferreira (op.cit), a percepção dos indivíduos em torno das suas capacidades, conhecimentos, competências, habilidades, saber fazer para serem bem-sucedidos como empreendedores influencia a criação de novas empresas.

Poderia afirmar, segundo minhas experiências nas interações sociais, no convívio do dia-a-dia que em Moçambique observa-se o comportamento social de não se olhar nas oportunidades de negócio que o país oferece. Apesar de haver mudanças acentuadas na matéria do empreendedorismo, já que o mercado de trabalho que mais absorve a mão de obra ou que proporciona o emprego é o setor do mercado informal, com muitos moçambicanos a comercializar bens comercializáveis, ainda visualizam-se políticas e comportamentos tímidos de dar-se mais atenção à formação dos recursos humanos, na gestão eficiente, na formação continuada em tecnologias de precisão, na produção de bens de consumo, nos incentivos, fiscais, de importação de insumos de produção, na eliminação da burocracia para os sujeitos se lançarem no mercado de trabalho ou no empreendedorismo. Em um país como Moçambique é mais fácil comprar um carro, seja da primeira mão carro zero do que um trator. Provavelmente esta situação pode acomodar elementos da sociedade com potencialidade de serem investidores.

Entretanto, ainda se observa a falta de atitudes ousadas nos jovens e adultos. A formação escolar não projeta nos moçambicanos atitudes criativas, imaginativas e inventivas. Há que se dar mais destaque ao ensino que promova estas qualidades no currículo escolar. É necessário que se administre conteúdos que façam com que os indivíduos observam seu meio com outro olhar, que projete a intervenção em uma situação dada. Moçambique é um país com muitas insuficiências que não são satisfeitas ainda e, “as necessidades insatisfeitas são sempre bons espaços para o surgimento de novas empresas empreendedoras” (op.cit, p.4)

 Nas interações cotidianas é fácil ver indivíduos a direcionarem suas práticas no lazer, na bebedeira, na curtição, coleção de mulheres. Ainda que não sejam todas as pessoas, já me acostumei de ver indivíduos com certas capacidades financeiras como não submersas ao entretenimento acima referido ou não a nenhum e, que quando abordados acerca do empreendedorismo a primeira reação é: Cadê finanças para eu investir?

Podemos considerar esta reação como normal, pois se trata de um assunto quase novo socialmente, afinal as pessoas cresceram e se constituíram nos últimos cinquenta (50) anos, provavelmente, num sistema em que o empregador é ou deve ser um mulungobranco. As pessoas esperam um mulungo para abrir empresas para poderem trabalhar – fazer qualquer coisa patrão!

Uma particularidade que merece destaque no país chamado Moçambique é a possibilidade de qualquer moçambicano poder adquirir a terra, bastando formular e apresentar um projeto de negócio capaz de promover o desenvolvimento do país sem custos exagerados como acontecem em outros cantos. Oficialmente, a terra em Moçambique “é do Estado”, portanto, não é susceptível de especulação e qualquer nacional que tenha capacidade de investir pode ser investidor.

Moçambique está a crescer e é nesta situação que demanda a formação dos recursos humanos com capacidades de explorarem suas potencialidades, de aproveitar as oportunidades que se fazerem tanto, no turismo, na indústria de transformação, no agronegócio, na prestação dos serviços, nas tecnologias de informação, na indústria extrativa, etc. Moçambique é um país das oportunidades.

É pertinente realçar que tais oportunidades necessitam de indivíduos formados e com capacidades de detectarem tais oportunidades, pessoas que possam se envolver no trabalho com determinação, com capacidades de desenharem projetos exequíveis e bem elaborados, tendo em conta o planejamento dos negócios, todos os procedimentos produtivos, do marketing, do mercado, da gestão eficiente e todas as etapas produtivas. Moçambicanos ousados e despostos para trabalharem.

Sabe-se que tais qualidades de saberes e atitudes, ainda faltam. Esta falta não advém da incapacidade, na nossa natureza, mas sim da formação enciclopédica característica do ensino em Moçambique. Falta a formação virada para o empreendedorismo.

Empreendedorismo não como conhecimentos abstratos somente, mas sim conhecimentos acoplados às atitudes, práticas sistematizadas, tendo em consideração técnicas de gestão de negócios e conhecimento profundo do local, do que acontece na região e à nível internacional de modo a sabermos explorar as oportunidades de negócios presentes em Moçambique e nos países da região. De acordo com o consultor do Sebrae-SP, Renato de Andrade, a parte técnica é importante e pode ser aprendida. A atitude empreendedora, porém, ou “vem de berço” ou uma pessoa precisa ter muita vontade para mudar, pois “empreender é realizar visões. É preciso ser curioso, enfrentar riscos, conseguir prever situações, ter metas bem definidas e uma boa rede de relacionamentos” (ANDRADE, 2006 – Estado de S.Paulo).

Localmente, se observa que existe aderência dos jovens a cursos superiores de gestão, administração de empresas, finanças, mas com objetivos virados para o ser-empregado-passivo e não para gestão da sua empresa. Por vezes, consideram-se estes cursos empresariais desapartados do carácter empreendedor ou que projetassem indivíduos preparados para terem olhos e se lançarem nas oportunidades de negócios e empreender.

Recentemente, há quatro anos, o governo encenou a introdução no currículo do Sistema Nacional de Educação da disciplina transversal de empreendedorismo em regime de matérias extracurriculares, algo que é de se desejar.

Contudo, a questão que se coloca é como esta cadeira de disciplina curricular avançará com docentes pouco qualificados para tal e sem uma estrutura que promova mudanças ou alteração dos ritos, da cultura interna que é passiva e pró-empregado e que afeta o mesmo professor? Esperemos para ver os resultados desta disciplina.

Sabe-se que este tipo de “incentivo” estrutural de mudança comportamental tendente ao aproveitamento das oportunidades de negócios não deverá se restringir, apenas na introdução no currículo escolar de uma disciplina relacionada ao empreendedorismo, mas sim, se criar outras instituições que deem suporte a provável desejo empreendedor.

Um ponto que considero vital seria, provavelmente, a criação de instituições viradas para a orientação empresarial, desenvolvimento e administração de cursos de baixo custo ou não pagas nas províncias e distritos. Paralelamente, disponibilizar-se-ia profissionais que acompanhassem, periodicamente, o desenvolvimento dos projetos dos pequenos e grandes produtores, pois em muitos casos é fácil ter uma ideia e abrir o negócio, mas é muito difícil manter o negócio. Em países como o Brasil, de acordo com o Serviço de Apoio às Micros e Pequenas Empresas (Sebrae), em cada 100 empresas abertas 35% deles não completam 1 ano de vida empresarial; 46% dos que sobreviveram ao primeiro ano não completaram 2 anos de vida empresarial; e 56% dos sobreviventes ao segundo ano desaparecem aos 3 anos de vida empresarial.

Desta forma, julgamos que uma população formada dentro do espírito empreendedor no verdadeiro sentido, acima descrito é capaz de se lançar nos negócios com poucas finanças. A história da humanidade está cheia de exemplos de indivíduos ricos que começaram do nada e hoje estão no pódio empresarial, ou seja, pessoas que tem a capacidade de criar uma empresa do nada. (MANCUSO, 1974).

Um trabalho de casa para o governo, a máquina legislativa é colocar à disposição, leis que facilitem e estimulem tais práticas de empreendedorismo, bem como a criação das infraestruturas necessárias, estradas para permitir a logística e as trocas comerciais e, sobretudo a criação dos mecanismos fiscais que protejam os produtores para a comercialização de seus produtos. O governo deve criar condições que o faça arbitro para que haja negócios e comércio justo.

Considero que é altura de moçambicanos, jovens e adultos ousarem e tomar conta do que Moçambique possui. O tomar conta não significa abocanhar, atrapalharem pessoas que querem trabalhar, mas empreender, aproveitar as potencialidades que o país possui no agronegócio, prestação dos serviços, indústria, etc. Pedra a Pedra construindo novo dia.

FERREIRA, Manuel Portugal. Ser empreendedor, criar e moldar a nova empresa: exemplos e casos brasileiros Manuel Portugal Ferreira, João Carvalho Santos, Fernando A. Ribeiro Serra. – São Paulo: Saraiva, 2010.
Iniciando Pequeno e grande negócio – Sebrae - ANDRADE, 2006 – Estado de S.Paulo.

Iniciando Pequeno e grande negócio – Sebrae - MANCUSO, 1974

2 comentários:

  1. Alo Cossa. Muita for,ca. Mo,cambique precisa mesmo depesoas como voce.

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