sábado, 7 de julho de 2012

A TRANSPARÊNCIA NO SECTOR PÚBLICO: A contradição da sociedade.

No princípio de julho, sindicatos da função pública entraram com ações e recursos judiciais na pretensão expressa de obrigar as prefeituras e outras agências estatais a não divulgarem seus ordenados. Estas entidades justificam sua ação ser para protelar e preservar a privacidade dos indivíduos, uma vez que segundo eles, os funcionários estatais como polícias, educadores podem sofrer chacotas, gozação da sociedade ou dos infratores e isso catalisar práticas de subornos.
Esta justificativa contrasta com o saber cotidiano, pois todos os membros da sociedade brasileira sabem que o policial e o professor recebem mal e por outro lado, como é que a mesma sociedade exige a transparência do político e em contrapartida não quer que seu salário fique exposto na transparência. Em nossa análise singela constatamos a faca de dois gumes, por um lado o político deve declarar seu salário, mas por outro, o cidadão deve viver às escondidas. Afinal quem é o político? Será este um indivíduo que caiu do céu e não desta mesma sociedade?
Práticas de transparência devem envolver toda a sociedade, presidentes, ministros, prefeitos, secretários, deputados, senadores, vereadores, juristas, médicos, professores, até o cidadão comum.
Só para se ter uma ideia, a transparência através da divulgação de salários com os respectivos nomes dos funcionários nas prefeituras e em outros órgãos públicos divulgadas recentemente à sociedade brasileira fizeram emergir práticas de superfaturamentos salariais. Em Brasília divulgou-se uma situação em que um médico auferia aproximadamente R$ 70000,00 trabalhados em 15000 horas extras. O leitor poderia questionar como um sujeito imortal poderia trabalhar 15000 horas por semana ou por mês?
A transparência vê exatamente para prevenir casos desta natureza, portanto, corruptas aqui no Brasil como em nossos países.  
Lembro-me do antigo ministro das Obras Públicas e Habitação, o Felício Zacarias e o ainda atual ministro das Finanças que tiveram a coragem de divulgar na mídia, em público os seus bens e propor para quem quiser ver seu capital e comparar em todas suas ações executivas ministeriais, atitude que não caiu no bom agrado nos restantes políticos em Moçambique.
COSSA, L.

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