quarta-feira, 5 de setembro de 2012

CHINESES CONTINUAM A HUMILHAR MOÇAMBICANOS EM MOÇAMBIQUE: Qual é o paradoxo disso?


COSSA, Lourenço

De novo somos acordados com a notícia de espancamento de moçambicano dentro de território nacional, Moçambique por estrangeiros chineses. Desta vez esta desgraça consequente caiu mais uma vez sobre um polícia, portanto, um membro que vela pela segurança do Estado e dos moçambicanos. Provavelmente, depois deste polícia será o deputado, depois ministro e por fim o Presidente do país.

O Inspetor e Porta-voz da Polícia da República de Moçambique na cidade de Maputo, Arnaldo Chefo desabafa:

- “Os Chineses têm abuso” – Jornal CanalMoz - terça-feira, 04 de Setembro de 2012.

Podemo-nos questionar, até quando estes desmandos irão cessar e, a resposta é, provavelmente não para já. Isso irá acontecer mais. É ser negativo, não é?

Pois não é. Este comportamento de estrangeiros é resultado da desorganização do Estado e Governo moçambicano e da sua Sociedade Civil.

Quase todo estrangeiro da raça branca e amarela estão cientes que moçambicano é desavisado, distraído por natureza colonizadora e culturalmente ingênua em certas ocasiões. Sabe que esta distração provém do que se chama “respeito” e admiração por grupos étnicos fora da África subsaariana. Este “respeito” emerge perante a cor do Outro, este Outro que para o colonizado psicologicamente é motivo de desejo, catalisa comportamentos deslocados e prejudiciais a ele mesmo.

Um dos comportamentos demonstrativos deste “respeito e consideração” do estrangeiro não africano-preto consiste no fato de que a interpelação desse Outro não negro por um polícia ou um determinado cidadão civil é caracterizada por atitudes que trazem sentidos de submissão e inferioridade deste, situação que coloca o outro, o estrangeiro não preto se sentir superior e acima de tudo, num território que não é seu, portanto, algo que não sucede com o africano-preto em país deste estrangeiro.

Para piorar é que este estrangeiro conhece e sabe das fragilidades do Estado deste dono do país.

Qualquer desentendimento com o nacional nativo e preto, o estrangeiro sai com vantagens junto das autoridades policiais. O policial ou um nacional preto ao lado de um estrangeiro não-africano não-preto se sente superior em relação a um outro moçambicano e, em contrapartida se sente inferior perante aquele não africano e não preto ao seu lado. Este estar se mostra pela busca incessante de agradar o não africano não preto; muda seu ser, apaga a sua identidade e nessa altura quererá falar a língua de seu “hóspede” invertendo os papeis cuja normalidade é o hospede procurar ser compreendido pelo dono da casa.

Logicamente, esta situação fará com que o estrangeiro se sinta em casa e com ousadia de até ir ver o quarto do dono da casa e quiçá sentar ou dormir sem ser convidado. Espancará, subornará, promoverá rixa entre os nacionais segundo seus interesses.

Para piorar a situação, este estrangeiro, sabendo que o Estado moçambicano não defende com veemência a integridade dos nacionais, quando houver intriga entre um nacional com estrangeiro correrá primeiramente para socorrer o estrangeiro não preto e, sem procurar querer saber o que é que houve, reprimirá o nacional. Estamos perante um povo sem autoestima, que não se conhece, mas em contrapartida quer e procura conhecer o Outro – este estrangeiro não preto.

Um povo colonizado na mente comporta-se deste modo, apesar de se visualizar a independência política e administrativa.

Os ingredientes da arrogância dos estrangeiros não pretos em Moçambique comungam para se sentirem acima das leis, línguas, religiosidade e culturas dos moçambicanos, pois tem ciência da sua “superioridade” e proteção do Estado moçambicano em relação ao cidadão moçambicano preto.

Vejamos que o mesmo grupo étnico que espanca moçambicanos sob a proteção do Estado e da cultura moçambicana que em nome do respeito ao estrangeiro camufla atitudes que podemos nomear como inferioridade, na Europa, América, Oceania e em países mesmo asiáticos eles nem ousariam praticar estas artes marciais contra os cidadãos destes países ou continente.

Em Moçambique praticam desmandos, pois sabem que mesmo um policial que é a autoridade do Estado, quando os aborda em via pública, usualmente o faz dentro de certo comportamento de “respeito”, “timidez” e, para piorar alguns policiais os tratam por PATRÃO!

Como é que um povo poderá se afirmar como nação com identidade própria e integridade se fará respeitar dentro da verticalidade ou horizontal formal com outros povos, se a priori entrega sua autoridade perante um estrangeiro branco, chinês, americano, brasileiro etc.?

Quantos moçambicanos já foram espancados por chineses nas obras estatais e que o Estado manifestou-se dentro do relativismo e muito menos expulsá-los do território nacional?

Muitos e muitos.

Quantas vezes cidadãos estrangeiros sul-africanos, Suazis entraram no território nacional perseguindo ou para matar um moçambicano e o governo não se manifestou com firmeza?

Quantas vezes nacionais foram humilhados e presos devido às queixas não investigadas dos estrangeiros não-pretos nas repartições empregatícias privadas?

Os absurdos envolvendo estrangeiros contra os nacionais têm uma lista enorme no território nacional. A mídia tem reportado estes absurdos. Um estrangeiro, chinês, europeu, paquistanês chegam a Moçambique e noutro dia já têm o bilhete de identidade moçambicana e passaporte. No dia seguinte já têm Bilhete de identidade e com naturalidade, por exemplo, de Gaza, Distrito de Makeze no interior, nas zonas rurais e nem sabe que língua se fala lá. Não será isso sinal de fraqueza do Estado?

Certamente que muitos dirão não, não, o nosso Estado não é frágil. Evidentemente não é frágil, pois sabe muito bem castigar, espezinhar um moçambicano, seu cidadão cujo na altura de coçar, da crise, o coagirá a pegar em arma para combater em nome da “integridade” e soberania territorial que o mesmo Estado permite que seja brinquedo dos estrangeiros, ou seja, alguns muitos chineses, europeus e americanos.

O Estado moçambicano e os moçambicanos necessitam de mudar a postura de inferioridade quando interagem com outros povos. Não se devem esconder nos discursos como – Hah, não! Temos que respeitar os estrangeiros para visitarem nosso país; os estrangeiros são nossos parceiros; são fonte de divisa; etc. etc., pois estes discursos constituem papo furado. Todos estrangeiros vêm à Moçambique porque têm interesses financeiros e querem status econômicos e mais nada. Se nosso país não fosse oportunidade visível nos dos negócios deles nenhum deles se faria por aqui em Moçambique.

Ademais, eles não são nossos parceiros. São sim, concorrentes nas oportunidades que se fazem em Moçambique. Disputamos com eles os nossos recursos e eles não estão para nos ajudar a construir o nosso país. Eles querem mais é, fazer a vida deles mais nada.

É nestes moldes que devemos mostra-los como é que deve ser o convívio para conosco e eles devem se sentir estrangeiros, pois são e, não estão em casa deles. Se nós vamos à seus países nos comportamos eticamente e é exatamente nestes moldes que devem viver em Moçambique. Para isso, como sociedade devemos reagir incisivamente e o Estado deve puni-los exemplarmente com pena de reclusão, cadeia e depois da saída expulsar de nosso país.

 
Solicitação: Se conhecer mais absurdos enumera nos comentários. Pode escrever em anonimato.

2 comentários:

  1. Olá, Lourenço!

    Tdo bem?
    Nossa, impressionante a ressonância dessas teorias raciais... e ainda temos que ouvir de alguns que o racismo não existe. Se for pra mudar o nome, acho que colonialismo fica bem, pq ele sim existe e muito.
    Este caso horrível é um dado interessante para olhar essas tensões raciais atuais.
    E me diz uma coisa: como vai a mobilização para pressionar a promoção de leis e educativas contra esses atos raciais violentos?

    Um abraço,
    Luanda.

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    1. Oi Luanda! Ca tudo bem.
      Olha! Práticas deste Gênero em Moçambique são ignorada da classificação racista, provavelmente porque a maioria esmagadora é mesmo africano, Bantu e, aos olhos governamentais soa como se tratasse de simples violência. Apenas os tais chineses foram presos e não se sabe mais nada. Práticas racistas reconhecidas sucediam nas estâncias turísticas e perduraram por muito tempo até que os donos que por sinal eram boers/africanners praticassem em um dirigentes. A partir dai a coisa mudou de figura. Houve o castigo merecido e nunca se ouviu falar mais de descriminação. A coisa é ainda assim em Moçambique. Pode ferir, mas desde o momento em que ferirá um poderoso, pagará. Quanto a população, a sua vulnerabilidade é natural.
      Tudo isso, quero dizer que continuamos na colonização, só que desta vez, pelos não africanos, ocidentais, asiático e americanos em conluio ou com a cumplicidade de negros com poder de decisão, os políticos.

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