sexta-feira, 9 de novembro de 2012

A VIOLÊNCIA E BARBARIDADES DAS FORÇAS MILITARES CONTRA A POPULAÇÃO INDEFESO




Cossa, Lourenço

O Estado Moçambicano é contra os Direitos Humanos: A violência policial é uma realidade crua em Moçambique. A brutalidade e impunidade dos brutamontes chamados Forças de Intervenção Rápida (FIR) contra a população indefesa constitui a covardia em Moçambique. Como seu comandante da mesma polícia já veio a público afirmar que a polícia têm leis próprias e não prestam contas a ninguém, nem mesmo às instituições da justiça, exceto é claro ao partido governista, a Frelimo.
O vídeo a seguir apresenta o espancamento bárbaro a um cidadão que fazia parte de um grupo de trabalhadores de uma empresa de segurança privada que reivindicavam melhores condições de trabalho, tratamento humano de seus patrões e salário justo. Eles manifestavam-se pacificamente e sem arruaças.
video

terça-feira, 6 de novembro de 2012

LÍDER DA OPOSIÇÃO EM MOÇAMBIQUE CANSOU E VOLTOU ÀS MATAS DE GORONGOSA: Que final esperamos em Moçambique?


Cossa, Lourenço

Em meio das informações que apontam a volta do líder do maior partido da oposição Resistência Nacional de Moçambique (Renamo), Afonso M. Dlhakama, às matas da antiga base militar em Gorongosa, distrito da província de Sofala adicionado às informações postas em circulação referindo a contratação de mercenários estrangeiros, zimbabweanos e sul-africanos para assassinar aquele líder, o governo veio à público desmentir  O Governo, através do porta-voz do partido governamental acusa a notícia da contratação de mercenários como infundada e adianta referindo que o governo pauta pelo diálogo e está aberto ao diálogo.
Contudo, jornais independentes confirmam a instalação de mais ou menos três bases militares comandadas pelas Polícias de Intervenção Rápida (FIR), Grupo de Operações especiais (GOE) e Serviços da Inteligência e Segurança do Estado (SISE) nas redondezas do Distrito de Gorongosa e confirma-se o clima tenso instalada na região pelas movimentações de policiais e pessoas a paisana nunca vistas pelas populações locais, situação que está a mudar o curso normal de vida das populações lá existentes. É difícil ir e vir nos distritos de Gorongosa e nas zonas circunvizinhas.
O jornal Savana do dia 2 de novembro reporta prisões das populações locais que se fazem à rua a noite sem o Bilhete de identidade (BI), prisão e estupros das mulheres que desenvolvem atividades sexuais nas localidades de Inchope em Manica, onde foram instaladas as bases militares nos últimos dias.
Uma cidadã de nome Mery Jeremias, entrevistada pelos jornalistas do Savana reportou que “às mulheres, a FIR exige Bilhete de Identidade (BI)e/ou ‘receita’. Em caso de não ter ‘faturada’, as trabalhadoras do sexo são obrigadas a passar uma ‘noite grátis’ na cela do posto policial local. Aos homens exige-se BI e se não apresentarem terão ‘direito’ à chicotadas/porrada”. Savana, 02/11/2012.
No permeio desta questão algumas poucas vozes da sociedade civil influente aponta a necessidade do governo estabelecer diálogo. Lembra-se que esta prática se mostrou pouco visível dentro do governo moçambicano liderado pelo partido Frelimo, situação que coloca alguns setores reticentes quando a persistência da paz aparente que se verificava desde 1992 em Moçambique.
Entre disse e não disse, cidadãos moçambicanos se dividem entre discursos pró-dizer governamental e outros a apelarem a necessidade da paz douradora dentro da interação equilibrada entre os atores políticos e sociais.
Uma coisa que merece ser anotado é referente às posições díspares entre cidadãos comuns, uma vez que se houvem vozes a ignorarem as preocupações do líder da Renamo embora estas constituírem parte das preocupações de muitos cidadãos que se sentem inseguros e injustiçados com o sistema de interferência negativa partidária governamental na vida social do país.
Lembra-se que aquele líder manifesta-se contrário com as perseguições e exclusão política em todas as instâncias do Estado, a proliferação das células do partido no poder em todas as repartições pública, acarretando nas intimidações, descontos coercivos nos ordenados dos trabalhadores, na usurpação dos recursos naturais e finaceiros de estado por um grupinho político no poder em detrimento da distribuição de renda equitativa, na inviabilização das ações partidárias dos partidos da oposição entre outros problemas que preocupam a estabilidade e democracia, além do cumprimento das cláusulas do acordo geral de Roma que pôs fim a guerra civil em 1992.
Perante a total banalização da sua imagem somada com as perseguições políticas e sociais de militantes de partidos da oposição ou qualquer moçambicano que contestem a forma de governação e, ainda agravada pelo fato de não existir abertura para diálogo por parte do governo este líder da oposição resolveu sair da cidade de Nampula onde morava nos últimos anos e voltar para antiga base militar nas matas de Sofala.
As reclamações deste líder, em muitos casos caem no deslocamento perante a mídia e em diferentes cidadãos, mas no geral constituem preocupação da maioria dos moçambicanos, afinal todos querem se sentir parte na construção de Moçambique e usufruir dos recursos que o país possui.
Entre os discursos que preocupa trazemos um recorte discursivo de internautas do jornal eletrônico O País em que no meio desta questão manifesta da seguinte forma:

- Em Moçambique só existe povo moçambicano  qual esse povo que quer a guerra? O povo sabe o que quer. É a harmonia e o desenvolvimento pelo esforço próprio. Por mais que se mude para outro governo, não irá satisfazer por completo todas as necessidades individuais. O Sr. Dlakama deve se convencer nisso. MC;
- Esses sururus todos em que a Renamo tem criado  servem para criar instabilidade no país. MT;
- A Frelimo dialogante? A mesma que faz tudo por tudo para empurrar o MDM à guerra? AAK;
- Eu estou contra as mortes, mas este senhor, sinceramente Moçambique não perderia nada. Então cada vez que um moçambicano não está de acordo com a governação do País tem que recorrer as armas? JFN;

Como se visualiza, dentro do discurso de alguns cidadãos, somos interpelados e confrontados pelos dizeres que tendem a convencer os moçambicanos de que não adianta a democracia, pois mesmo que entre outro governo as coisas permanecerão na mesma.
Uns encorajam agentes governamentais a assassinar aquele líder e outros mostram a dúvida quanto ao dizer que apontam a abertura do diálogo do governo partido.
Visualiza-se a ausência do diálogo e coesão social em Moçambique, situação que faz emergir sinais da intolerância e discursos belicistas. Este estar não se verifica apenas em alguns segmentos da população, mas em grande parte dos partidários governamentais. Relega-se o diálogo em favor da instabilidade.
Desde a independência nacional em 1975, o país esta a ser governado pelo mesmo partido, a Frelimo e como é que as coisas podem ser as mesmas se houver alternância do poder em Moçambique se moçambicanos nunca experimentaram outras possibilidades governativas?
Discursos como estes são os que perpetuam sistemas de poder mesmo que se mostrem em desconexão com interesses mais amplos do povo. São discursos que teimam em lutar contra o desenvolvimento, democracia, implantando sistemas de ditaduras e tirania. Discursos como essas servem para perpetuar a ideologização das pessoas.
Um recorte do hino nacional refere - pedra pedra construindo novo dia, Milhões de braços uma só força, Ó pátria amada vamos vencer. São milhões de moçambicanos que podem desenvolver Moçambique e não um punhado de gente.
Entre o dito não dito da parte da oposição e do governo, ninguém sabe ao certo o que está acontecer no terreno. O que todo mundo sabe é que as revindicações daquele opositor são legítimas, pois constituem preocupação da maioria dos moçambicanos que se sentem prejudicados com o direito exclusivo de militantes pró-governamentais na partilha dos recursos de que o país possui. A maioria dos moçambicanos está ciente que não querem guerra, mas também não coabitam com as perseguições políticas e a exclusão social e política.
Lembra-se que em Moçambique ter um cartão do partido no poder define em grande medida o sucesso e a empregabilidade nas instituições do Estado e de participação do Estado. Daí haver necessidade de uma ação consertada e vigorosa das pessoas comprometidas com o bem comum de modo a pressionar o governo a dialogar e evitar uma guerra desnecessária. Um conflito armado não é benéfico para democracia, para moçambicanos que estão ávidos em investir e desenvolver no seu país.
Se houvesse diálogo nas estâncias governamentais, ter-se-ia deixado a transmissão em direto na mídia televisiva a apelação do ideólogo da Frelimo em favor do diálogo no seu do partido. Pelo contrário, quando este político criticava algumas anomalias no seio do coletivo partidário houve interrupção forçada a todos os jornalistas que cobriam o evento. Proibiu-se a mídia de reportar qualquer coisa que mostraria a existência do diálogo.
Se existisse diálogo não se correria o risco de perseguir, excluir este líder da oposição e militantes de todos partidos da oposição. Foi este partido que obrigou o governo monopartidário a ir à mesa para dialogar e permitir a democracia em Moçambique.
Entre dito e não dito há que realçar que muita informação é inacessível para mídia e para moçambicanos. Como é que informações dessa natureza podem vazar se nem para um Zé ninguém pesquisador qualquer não consegue obter determinadas informações dados importantes para a área científica  acadêmica que provavelmente poderiam contribuir no esclarecer algumas questões e quiçá desenvolver de Moçambique? Convidaria ao leitor a ver as entrelinhas do pronunciamento do Ministro da Defesa aquando da sua saída do conselho de ministro (http://www.verdade.co.mz/nacional/31777-ministro-da-defesa-diz-que-afonso-dlhakama-merece-proteccao).
O seguinte excerto mostra a provável gravidade da questão:

- As forças armadas não estão para matar pessoas que dialogam e que produzem debates, porém está previsto na constituição da República que quem violar o território, por vias externas ou internas, as forças da defesa podem responder. Mas até ao momento não há motivos para tal. Agora, se de fato, Dlhakama sente-se ameaçado deve ir às instituições próprias como esquadras e fazer a devida notificação porque ele merece proteção. Ministro da Defesa Filipe Nhussi - 30102012.

O Ministro manda aquele líder da oposição fazer queixa em qualquer esquadra policial num cenário em que estes agentes do estado em grande medida cumprem agendas partidárias do poder governamental numa total parcialidade política.
Este discurso indica zonas de penumbra consistente. Toda decisão se delega ao próprio líder da oposição. O governo fica isento de qualquer responsabilidade. O ministro está a ameaçar e banalizar a figura política daquele que foi responsável por dezesseis anos pela paragem do projeto monopartidária de marxismo-Leninista adotada pelo governo inicialmente. É como quem quer dizer – você não mete medo a ninguém. Isso quer dizer algo que nós cidadãos comuns não sabemos nada do que está a acontecer na realidade e muito menos conseguimos ver a olho nu.
Cenários prováveis – Ensaio de invasão a possível reação deste partido em termos de seu poder de fogo e a consequente decretação do Estado de Sítio. Assim, adeus às eleições e prolonga-se a chefia atual na administração do país, perpetuando o nepotismo, a corrupção e a delapidação dos recursos naturais e financeiros. O segundo - assassinato do líder Dlhakama e abrir-se o cenário angolano em que o presidente é Deus. É que decide o que e quem fazer isto ou aquilo.
Um fato é que quando eclodir mais uma guerra civil não serão os filhos deste punhado de gente agarrado ao poder que irá a guerrear no terreno e defender seus os interesses. São filhos dos moçambicanos, aqueles cujo seus país são excluído dos recursos de que Moçambique despõe. Não serão os familiares dos mesmos políticos que teimam em excluir outros moçambicanos na construção de Moçambique que sofrerão na carne e osso. É necessário de evitar o derramamento de sangue desnecessariamente. Não queremos a angolanização de Moçambique.
Pedra, pedra construindo novo dia, Milhões de braços, uma só força, Vamos vencer.