sábado, 15 de dezembro de 2012

A ETNIA, OS CONFLITOS E A GEOGRAFIA DO PODER


Cossa, Lourenço

O mundo foi mais uma vez brindado pela notícia que dava conta que o governo norte coreano havia lançado com sucesso um foguete nomeado como míssil balístico pelas potências ocidentais, mas que para os coreanos trata-se de um satélite com fins pacíficos.

Os países ocidentais andam preocupados pela ousadia do estado/governo coreano, pois na sua visão, aquele estado comunista é perigo para a humanidade.

Mas será que de fato o desenvolvimento e o domínio da tecnologia espacial e/ou de míssil pelo estado da Corea do Norte é perígo contra a humanidade ou é perigo para os interesses destas potências cujo seus interesses não conseguem se desgrudar na pretensão de controlar os povos, governos, de seus recursos humanos e filosóficos?

A ousadia da Corea do Norte e do Irão em desenvolver seu poderio militar ou o domínio da tecnologia espacial de mísseis desassossega os países ocidentais como Estados Unidos da América, França, Reino Unido entre outros, mais a Rússia. Enquadra-se no conflito de interesse, no conflito étnico, entre os que podem e outros que não podem. Na geografia do poder os que têm poder, os que podem "naturalmente" têm a prerrogativa de determinar quem deve ter a tecnologia X ou Y. Contudo, o dever ter tal tecnologia depende da posição política e étnica que o que não tem poder, o outro se enquadra. Se por exemplo, em uma determinada região geográfica existe algo de interesse política ou econômica, certamente um elemento de lá que tenha algum "poder" deve pertencer/filiar aos poderosos/ocidentais com poder de ampliar seu império colonial/neocolonial. Caso este não pertencer ideologicamente ao grupo do poder, deve permanecer silencioso, não chamar atenção, pois caso não, ele deve ser um algo a abater. Abate-se com isolamento, exclusão econômica e uma política ofensiva, incitamento a guerra interétnica ou civil, golpes de estado etc. Na atualidade política e geográfica do poder, um governo ou lideres nacionalistas são susceptíveis ao abate/assassinato ou a outorgação de termos que permeiam a moral política, ditador. Só não são ditadores os lideres que abrem as portas de seus países e economia para os países ocidentais e potências militares/econômica se servirem sem custos que mexa os bolsos. O contrário, o caso de ser nacionalista/ditador, mas bom moço é útil, até que não haja mais interesse em se manter relações "bilaterais". Ai é descartado. O Hosni Mubarak é exemplo claro disso.

A lista de países, governos e lideres abatidos é extensa. Podemos citar exemplos como o Manuel António Noriega do Panamá, o Maurice Bishop da Granada, Patrice Lomumba da RDC, Bashar Al Saad da Síria, Muammar Kadhafi da Líbia, Sadam Hussein do Iraque para além da estranha coincidência do fato de quase todos lideres africanos que lutaram para as independências de seus países terem morridos com "doenças" ou assassinatos.

O mundo vivencia a luta entre o poder, controle do Outro sem precedente. Este Outro é visualizado em forma de etnia e raça. É o exótico, o folclórico engraçado até certo ponto que tem que ser igual como nós, mas nunca será como nós.