quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

A VIOLÊNCIA COMO ESTRATÉGIA DE COERSÃO

Faz parte das estratégias de persuasão com base na intimidação, aparentemente direcionada a um grupo determinado, mas com propósitos de chamar atenção ou coagir grupos mais amplos ou mesmo toda a sociedade. A persuasão ou coersão com recurso à intimidação social é feita por grupos que ostentam algum poder sobre outros. Esta prática, usualmente é protagonizada por grupos sem muita legitimidade, grupo inseguros de um possível desalojamento de seu aparente poder.
A história da humanidade mostra o uso desta estratégia de intimidação social para fins de garantia de continuidade do poder sobre outros grupos. A captura e extradição de Gungunyana para Portugal foi feita no sentido de mostrar aos pequenos chefes que haviam restado do Império de Gaza que se não cooperarem connosco, portugueses, acabarão por serem forçados a deixarem vossas terras e quem sabe sumirem do mapa e, pelos vistos a estratégia funcionou. Não houve a reorganização do Estado de Gaza, apesar de se ter verificado alguma resistência do Lider dos Khosas, o Maguiguana Khosa, meu antepassado por sinal.
Os portugueses, na luta armada de libertação se socorreram ainda desta estratégia. Matavam todos os guerrilheiros da Frente de Libertação de Moçambique que eram capturados vivos numa clara mensagem - abandonas a arma e se submeta a nós superiotres para não ser como estes finados.
A crueldade com que o ocidente ajudou a capturar e matar os líderes dos países muculmanos do Iraque, Líbia, o assassínio em massa de todos os líderes independentistas/nacionalistas africanos bem como as bombas atómicas lançado sobre Heroshima e Nagasaki, dezimando os janoneses foi sinal inequívoco dado pelos grupos ocidentais com poder e com interesses obscuros/capitalistas aos africanos e ao mundo em geral que se não cooperarem connosco o próximo de vós, que querer autonomia passará por isso.
Voltando para Moçambique, 2013 e 2014 são os anos eleitorais. No ano presente far-se-à as eleições autarquicas e neste panorama existem partidos da oposição com destaque e de outro o partido no poder desde a independência nacional em 1975.
Como em todos os anos eleitorais, o periodo pré-eleitoral é caracterizado pelas perseguições, humilhações, prisões arbitrárias onde o grupo partidário com o poder se apropria da máquina pública, do Estado para amendrontar os partidos da oposição. Acredita-se que ainda está na memória de muitos moçambicanos a libertação recente em Inhambane dos militantes/membros do partido Movimento Democrático de Moçambique, o MDM. Tais membros foram presos aleatóriamente durante as eleições intercalares do ano findo nesta província.
Há dois dias atrás fomos interpelados pela notícia que dava conta do espancamento e vandalização da nova sede do partido MDM em Chokwé, província de Gaza.
Nas eleições de Quelimane entre outros distritos houvem reportagens de agressões e prisões de membros de partidos da oposição e, esta situação não constitui novidade para os moçambicanos.
A questão que pode perpassar aos que estejam desatentos é que tais represálias, preseguições, humilhações estejam a serem direcionada a uns grupos somente. Ilusão pura.
Estas práticas sucedem ciclicamente em Moçambique para coagir todo povo moçambicanos a não simpatizarem com partidos da oposição. É uma clara mensagem aos moçambicanos para que "não saiam da linha" do partido no poder, a Frelimo, pois isso acareta prejuízos severos, incluindo a morte.
Os moçambicanos estão a serem intimidados e coagidos a cooperarem com o poder dominante na escala política, econômica e administrativa e, não é por acaso. Quando se constata que determinado sujeito está/é simpatizante de um portido da oposição, a partir daí começa a sofrer represálias. Nas repartições do Estado não é mais promovido, e chega a ser dimitido.
Isto faz parte da sobrevivência de um sistema.
E agora! Que deve ser feito? Desistir de se opor do sistema ou governos se estes não promovem políticas que beneficiem as populações? Cooperar com sistemas que por muitas vezes se mostrem insensíveis com o sofrimento da maioria/dos moçambicanos?
Cabe a cada um se manifestar nas eleições autarquicas deste ano, 2012 e as presidenciais do próximo ano 2014 com seu voto, pois é quase a única oportunidade em um país onde a manifestação é susceptível de agressão sem limite. O medo protege a pele, mas condena o indivíduo, o espírito pelo resto da vida.
Se o medo estivesse vingado nos moçambicanos, certamente que até ao momento a autodeterminação do povo moçambicano não teria vingado. A nossa independência seria uma faixada e, estariamos sob controle remoto dos portugueses.
Pedra Pedra construíndo novo dia, Milhões de braços, Uma só força, Oh, pátria amada, Vamos vencer. 

4 comentários:

  1. Claro blogger,

    Parabéns por fazer a sua parte. Informar é uma boa contribuicão no processo da nossa democracia. Publiquei parte deste artigo no Reflectindo sobre Mocambique e o mesmo farei no Diálogo sobre Mocambique.

    Um abraco

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  2. Gostei de ler. sintese perfeita. a pergunta que deixo é a seguinte: Mudou alguma coisa nestes últimos 30 e tal anos de independencia? Pelo que leio na sua eximia cronica,é que n mudou nada. Sou mudaram os "actores" do regime. Bem haja camarada

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    1. São percepções. Cada um entende conforme a sua constituição, ideosincrasia. Desde a independência Moçambique observou/assinalou mudanças, a nível político, social e econômico. A sua história mostra estas alterações. Entre os trancos e barracos esta a progredir. Mas não podemos deixar de notar a existência de forças que lutam contra mudanças políticas ou contra as transformações políticas, sociais e econômicas. A agressão, vandalismo e intimidações contra membros da oposição que se destacam no seu trabalho é um retrocesso, não acha, leitor?

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