sábado, 2 de fevereiro de 2013

A CORDA ARREBENTA NO LADO MAIS FRACO: A tragédia de Santa Maria – RS Brasil


COSSA, Lourenço

É, segundo os acontecimentos dos últimos dias esta expressão se revela real e concisa.

Estão em prisão decretada pela justiça Gaúcha – Brasil dois dos proprietários sócios de boate e dois dos integrantes da banda Gurizada Fandangueira, o grupo musical que atuava durante a tragédia que vitimou mortalmente, cerca de 236 jovens estudantes e mais um número considerável de outros estudantes que ainda permanecem nos hospitais do Estado do Rio Grande do Sul em tratamento. Era característica da banda durante os shows incendiarem sinalizadores e com isso colocarem os espectadores ao delírio, aliás, este momento era sempre aguardado com expectativa pelos jovens que presenciavam seus espetáculos.

Estes cidadãos são responsabilizados por esta tragédia que comoveu todos brasileiros e o mundo.

Contudo, neste cenário importa-nos destacar alguns fatores contraditórios. É que os proprietários da boate foram autorizados a instalarem aquele empreendimento cultural pelos órgãos municipais e que para isso acontecer houve vistorias envolvendo bombeiros e além do mais este empreendimento era taxado pelo município local, o que de certa forma faz-nos supor que seu funcionamento acomodava as contas municipais e, no entanto, estes órgãos não são responsabilizados.

O prefeito local, de Santa Maria chegou a afirmar sob “choros” e mediante as câmeras televisivas que não tinha nenhuma culpa pelo sucedido, pois desempenhou adequadamente seu papel de gestor municipal e, que qualquer intenção de responsabilizá-lo tinha tendência políticas. Os donos da boate sim e os integrantes da banda que acenderam os sinalizadores, estes sim são os responsáveis pelo sucedido. Paralelamente, a justiça gaúcha (Rio Grande do Sul), mandou prender os integrantes sobreviventes do incêndio, culpando-os pelo homicídio qualificado onde a prática que desencadeio a tragédia é tida como consciente.  

Todas as autoridades sejam estaduais, municipais, corpo de bombeiros que fiscalizam estes tipos de espaços públicos com vista a detectarem saídas de emergência, extintores, a mobilidade dos frequentadores, saíram ilesos, limpinhos de qualquer responsabilidade. Na era planetária, caracterizada pela emergência das informações diversificadas, somos correntemente acostumados pelas práticas políticas-administrativas sérios cujo em situação de tragédias como a que aconteceu em Santa Maria são os primeiros a assumirem a culpa e a se colocarem em disposição da justiça ou deixarem seus cargos.

E que acontece com as autoridades políticas-administrativas dos países do terceiro mundo/em desenvolvimentos em situações deste gênero?

Nada. Nada, pois o poder, os sistemas de justiças e políticos os protege. Nada, pois os comportamentos sociais dos povos desses países se constituíram/se constitui dentro de valores da veneração do rei, do mais velho, da majestade. A lei funciona a favor de quem a aplica, as autoridades políticas-administrativas no poder, os órgãos de justiça, polícias.

Para que estas instituições públicas e de autoridades mostrem a existência de “seriedade”, mostrar que estão a trabalhar perante aos olhos da população e dos familiares das vítimas mandaram apreender aqueles cidadãos.
A corda arrebenta no lado mais fraco. É fraco, pois na hora oportuna, em momentos que exigem responsabilidade, nos momentos eleitorais muitos destes fracos preferem o lazer, bebidas e futebol em detrimento de aproveitarem o momento ímpar de externalizar suas preocupações e colocar suas sociedades em ordem.