quarta-feira, 27 de março de 2013

O NEOCOLONIALISMO VINDO COM AVAL DE GOVERNOS DESCOMPROMISSADOS COM O BEM ESTAR DE POVOS DE SEUS PAISES


O NEOCOLONIALISMO VINDO COM AVAL DE GOVERNOS DESCOMPROMISSADOS COM O BEM ESTAR DE POVOS DE SEUS PAISES
 

COSSA, Lourenço
 

Brics rejeitam acusações de serem "novos imperialistas" na África. "Brics, não dividam a África" diz um cartaz no salão de uma igreja no centro de Durban, onde ativistas da sociedade civil juntaram-se para lançar um olhar crítico sobre a cúpula dos cinco poderes globais emergentes. Ativistas anti-pobreza afirmam que as grandes empresas dos Brics que atuam na África buscam o lucro, assim como as empresas do mundo rico. Os chineses e outros líderes dos Brics rejeitam indignados às críticas de que o grupo representa um tipo de "sub-imperialismo". A gigante brasileira da mineração Vale, nomeada em 2012 pelo grupo suíço sem fins lucrativos Public Eye como a empresa com o maior "desprezo para o meio ambiente e os direitos humanos" no mundo. O presidente da Associação Mato-Grossence dos Produtores de Algodão (Ampa) afirmou que “Moçambique é um Mato Grosso no meio da África, com terra de graça, sem tanto impedimento ambiental e frete mais barato para a China”. O ProSavana, projecto para a produção de soja e outros alimentos para a exportação pelas empresas brasileiras abrangerá uma área estimada em 14,5 milhões de hectares nas províncias de Nampula, Niassa e Zambézia, onde cerca de 5 milhões de camponeses vivem e produzem alimentos para o abastecimento local e regional.

Jornais: CanalMoz e A Verdade – 25/03/2013 e 27/03/2013.

 

É com estas palavras tiradas dos Jornais CanalMOz e A Verdade que inicio a minha explanação para reforçar a chamada de atenção que muitas organizações da sociedade civil e políticos vêm fazendo contra os chamados “investimentos” dos Brics entre outros e, de certa forma colocar a minha contestação ao modelo de “desenvolvimento” que o governo de Moçambique insiste em impor ou trazer, desalojando os agricultores de suas terras em favor da neocolonização.

Várias vozes alertam para o neocolonialismo dos países dos BRICS e não é para menos. Em Moçambique, em pouco tempo, a empresa brasileira já deu sinais claros de suas pretensões colonizadoras e escravocrata que sempre privilegiou em seu país, Brasil. As empresas chinesas em conluio com as elites políticas governamentais abatem desenfreadamente florestas, animais como elefantes e rinocerontes para extrair seus chifres rumo ao seu país. A África do sul retém água dos rios e Moçambique fica castigado com as secas, mas quando chove muito por lá abre as comportas, matando moçambicanos quase anualmente, além de pagar preço barato pelo gás e eletricidade. Gasodutos saem dos poços indo direto para África do Sul, onde lá é beneficiado e depois volta engarrafado e caro para Moçambique e para os moçambicanos.

No tocante a agricultura, vozes descontextualizadas com o cenário de desenvolvimento dos agronegócios defendem que o ProSavana com as suas grandes empresas agrícolas vem para desenvolver a agricultura em Moçambique. Defendem que a produção em grande escala visa/dará emprego aos moçambicanos.

Ilusão pura. A monocultura, tal como fez e continua a fazer no Brasil é o desgaste para a terra, contaminação dos solos, lençóis freáticos, a poluição do meio ambiente e nada de emprego aos moçambicanos. Os poucos que poderão serem empregues viverão apenas pouquíssimos anos, pois estarão contaminados pelas pesticidas, fungicidas, os venenos diversificados e pior, sem proteção do Estado moçambicano. É claro que quem ganhará é a pequena elite política, afinal este não tem nenhum compromisso com o desenvolvimento do país efetivamente.

Entenda-se que desenvolvimento de Moçambique não implica que a terra chamada Moçambique tenha prédios sofisticados, grandes extensões de terras com monoculturas de soja, mas sim que o povo moçambicano produza seus bens e comercialize ganhando. Implica que o povo moçambicano tenha seus bens/propriedades preservadas. Significa viver em suas casas, prédios sofisticados em detrimento de assistir e ver que se constróem prédios com arquitetura arrojada e lá vivem brancos/estrangeiros e elites da Frelimo. Isso não é desenvolvimento. Isso é exploração de nossos recursos e nosso país. Isso é exclusão social, racial e econômica.

Aliás, falando em exclusão racial e econômica, não há como ficar indiferente. Em Moçambique os brancos recebem mais que os negros, donos do país nas empresas, mesmo que desempenhem as mesmas funções e tenham habilitações similares. Empresas oferecem aos portugueses, por exemplo, salários acima dos 50% da média de Portugal em Moçambique, diz econômico.sapo.pt/noticiais.

Nenhum país já cresceu a partir da exploração de seus recursos por entidades estrangeiras e vendo-os enriquecendo às custas de seu suor e sangue derramados de suas populações. A terra em Moçambique se conquistou. São nossos pais, irmãos, avós que conquistaram a nossa terra e, as consultas que os governantes dizem fazerem, desalojando as populações e depois oferecer gratuitamente aos Brasileiros, Japoneses ou seja quem quer que seja é aleatória e agride a integridade dos moçambicanos. Agride o sangue derramado dos moçambicanos. Isso chama-se tirania e merece repulsa e se for preciso uso da força (António Muchanga, 2013).

Afugenta investidores, sim, mas voltam depois.

Os moçambicanos, as populações da Zambézia, Nampula, Niassa não devem se iludir. Os fazendeiros brasileiros têm a fama de semear intrigas entre as populações. Formam matadores/pistoleiros para silenciar quem se opõe a seus interesses. Aliás, a este respeito já demonstraram na gestão dos conflitos em Tete que os opõem com as populações de Cateme. Para o cúmulo do absurdo, exemplos ou sinais de neocolonialismo já mostraram quando o governo brasileiro tentou inviabilizar a participação do ativista moçambicano do meio ambiente ao RIO + 20. O ProSavana não trará desenvolvimento nenhum às populações das províncias nortenha da Zambézia, Nampula e Niassa. Não será desenvolvimento dos moçambicanos ver-se grandes áreas (14,5 milhões de hectares com culturas de soja), mas sim utopia do desenvolvimento. As populações verão as suas antigas terras usurpadas pelo governo em conluio com empresas estrangeiras a produzirem culturas que nunca havia visto na vida. Não há diferença entre estas e as companhias que funcionaram no tempo colonial. A diferença é que estas foram impostas por governantes que acham que o povo não pensa e que é sua propriedade.

Para haver desenvolvimento não precisa que o povo seja desalojado das suas terras e sim que se canalizem conhecimentos, esforços materiais e tecnológicos no sentido de potencializar as mesmas populações em tecnologias agrícolas de produção precisa dentro do sistema familiar. A preparação dessas mesmas populações em saberes tecnológicos ao ponto de verem suas terras como susceptíveis de constituírem empresas agrícolas dentro do espírito empreendedor é o que deve nortear as políticas de desenvolvimento do meio rural. E por fim cabe a responsabilidade do mesmo governo criar políticas de proteção dos agricultores e de suas produções de modo a obter-se vantagens na comercialização. Entrar dinheiro no bolso dos agricultores moçambicanos.

Facilitar a vida dos brasileiros, japoneses ou chineses não é desenvolver os moçambicanos, mas sim cavilhar/prejudicar os nativos.

Cabe ao governos criar agências de promoção de gestão e agronegócio, disponibilizar técnicos para assistir os camponeses periodicamente, além de estimular a formação continuada em matéria de novas tecnologias de produção, comercialização e novos hábitos de consumo. Não há nenhum país cujo seu desenvolvimento agrícola nasceu naturalmente. Todos submeteram seus povos à formação, assistências agrícola e comercialização. Experiências do gênero são a razão de desenvolvimento do agronegócio e da eliminação da miséria no meio rural brasileiro e não no latifúndio. Se se quer desenvolver os agricultores e a agricultura no meio rural por que não se canalizam experiências, por exemplo, da Emater, Senar, organismos que formam e acompanham o desenvolvimento dos agricultores brasileiros?

Pedra Pedra Construindo novo dia, Milhões de Braços, Uma só força, Oh, Pátria amada Vamos vencer.

 
http://economico.sapo.pt/noticias/saiba-como-concorrer-a-um-emprego-em-mocambique_145436.html

sexta-feira, 22 de março de 2013

MOÇAMBIQUE TEM TUDO PARA DAR CERTO

COSSA, Lourenço

 Moçambique, um país situado na costa oriental da África, com todas as potencialidades materiais e humanas atrai diversidades de povos estrangeiros que procuram oportunidades de negócios, mas que à nível interno, os povos moçambicanos assistem sem reação assinalável estes povos estrangeiros a se enriquecerem.

Nesta situação, que podemos dizer?

Será que tais povos que afluem em massa para Moçambique, chegando ao ponto de falsificarem documentos de identificação de Moçambique para usufruírem com facilidade os bens ou recursos desta terra chamada de Moçambique nasceram com este apetite e ousadia?

Claro que não! Situações diversas sucederam na vida deles e umas delas foi a educação tendente a visão empreendedora. Foi a educação cultural que os fez olharem para si e terem a autoestima de quererem o melhor para eles. A vinda da maioria deles visa exatamente para estes aspectos. è claro que chegando para o país, Moçambique e se deparando com tanto sono de seu povo e, pior, se deparando com tanta ignorância em relação às relações que se pautam em venerarem pessoas de outras cores, numa atitude de auto exclusão, ou seja, o racismo consentido culturalmente aproveitam-se e passeiam a sua classe, praticando racismo, arrogância, delapidação destes recursos, afinal não faz parte deles e é certo que quando acabarem tais recursos arrumarão as malas deixando para trás buracos, poluição, contaminação dos solos e desertos.

A questão é: eles são culpados?

Não!

Não são culpados. Nós moçambicanos é que somos verdadeiros idiotas, ingênuo.

Calmem,  clamem não estou pegando pesado não, apenas tentando provocar reflexão e reforçar as alertas de vários pesquisadores e moçambicanos preocupados pelo desenvolvimento dos moçambicanos no verdadeiro sentido e não um punhado de moçambicanos que acham que tudo é deles, pois deles, daqui a 50 anos não sobrará nada para nem seus descendentes.

Tais moçambicanos incansavelmente escrevem concedem entrevistas nos meios de informação em Moçambique e não só.

Há necessidade de se organizar Moçambique para que os moçambicanos usufruam de seus recursos efetivamente. Há necessidade de se aplicar as leis moçambicanas, combater-se a corrupção institucional que é moda, punindo os prevaricadores sem restrição não importando se o prevaricador é membro do partido no poder ou quem quer que seja.

É urgente a separação de poderes (Estado e Governo), diminuição dos poderes do Presidente da República.

É necessária que o povo aproveite a oportunidade única que tem em Moçambique de votar, votando consciente e eliminar a arrogância, o nepotismo, à corrupção em detrimento de ficar em casa sem votar. O partido no poder continuará a amedrontar os eleitores com a sua força de Intervenção de modo que se sintam inseguros e fiquem em casa.

Sabe-se que esta prática amedronta apenas pessoas que pensam diferente e que tem coragem de dizer basta pelo voto. Enquanto eles recuam os fanáticos e iludidos pelos arrogantes continuam votando e assim perpetuando a políticas desfavoráveis à maioria dos Moçambicanos.

2013 e 2014 têm eleições. Moçambique tem tudo para dar certo.