segunda-feira, 4 de novembro de 2013

NÃO A GUERRA E NÃO AOS RAPTOS! Será o acordar da sociedade civil em Moçambique?


COSSA, Lourenço

 

Em muitas das minhas intervenções apelei o despertar da sociedade civil em Moçambique, pois a considerava instrumento do partido no poder. Os factos mostrava este estar, alias, a mesma sociedade civil que se fazia através das várias associações penetrava, por exemplo, nas Comissão Nacional das Eleições, Organização Nacional dos Professores (ONP) e em outras “organizações da sociedade civil”, mas com as ambições voltadas para os interesses do partido  o poder e em cargos governamentais.  São muitos os exemplos de individualidades cuja sua inserção partiu da capa da sociedade civil, mas que ao fim ao cabo se colocaram alheios aos interesses das sociedades civis de facto.

Esta situação parece se mostrar contrário. Vimos neste ano a líder da ONP a refutar a candidatura do então Presidente da Comissão Nacional de Eleições, o Leopoldo da Costa em nome desta organização dos professores.

Mas uma das mais expressivas demonstrações da tomada da palavra e atitude da sociedade civil se viu com as manifestações pacíficas organizadas e coordenadas pela Liga dos Direitos Humanos no dia 31 de outubro de 2013.

A sociedade civil se mostrou em massa e deu sinais claras que tem ou pode ter uma palavra a dar neste cenário político que se mostra desfavorável para o gozo da integridade humana dos moçambicanos. Juntou-se para dar recado ao governo-Estado da Frelimo que não está a gostar e muito menos conformado com o rumo com que as coisas estão tomando. Compreendeu que a crise político-militar que está a crescer sob a direção do partido  o poder dizimará seus filhos enquanto os filhos das elites no poder, do partido Frelimo permanecerá como de costume nas suas mansões, estudos e vida no exterior intocáveis.

A mesma sociedade civil se apercebeu de que apoiar discursos inflamados e de tendência a cultuar a intolerância política, econômica (já que ser do partido da oposição é sinônimo da exclusão nos postos de chefias e mesmo no emprego condigno) conduz a violência.

Finalmente saiu do armário e se fez à rua manifestando pacificamente, o que foi muito positivo na construção da Democracia de que tanto costumamos a pronunciar. Espera-se que está atitude seja o início de uma visão tendente a olhar para seus interesses e não para os interesses de meia dúzia de moçambicanos que pensam que por ter lutado para a independência tem por direito de pilharem todas as riquezas do país e empurrar seus povos/moçambicanos para a pobreza e mendicidade. Sim, mendicidade porque todas as formas de exclusão colocam os elementos marginalizados na mendicidade, descrédito, perda da dignidade e como consequência a sua luta pela sobrevivência; sobrevivência essa que em muitos dos casos têm resultados imprevisíveis.

Podemos afirmar com toda certeza que o cenário que se vive na atualidade da guerra no centro do país é o culminar desta exclusão, afinal os membros da oposição perderam a sua dignidade perante o olhar impávido da mesma sociedade civil. Todos nós sabemos/sabíamos que em Moçambique ser conotados como membro da oposição é sinônimo da violência psicológica e em certos casos física nas instituições públicas e em sectores privados nas zonas urbanas e rurais e, sempre ficamos indiferente mediante a esta situação.

A última gota de agua no copo foi ao rubro e o líquido derramou na mesa. A guerra já se faz sentir e Moçambique. Apesar do governo estar a gerir esta guerra através do abafamento da informação, hipoteticamente para não criar grande impacto e repúdio generalizado ou abrir grande fissuras na mesma sociedade civil, no terreno das operações da guerra está-se a morrer.

Militares, filhos dos moçambicanos que não estudam no exterior e não moram nas mansões estão a morrer em Gorongosa/Maringué - Sofala.

O governo, em cada incursão das forças armadas governamentais (Frelimo) informa através dos órgãos da informação que não houve feridos nem mortos em ambos os lados (Homens da Renamo e forças governamentais/Frelimo). Esta informação tem propósito, na nossa óptica, de abafamento do impacto da guerra e vedar a percepção das sociedades civis e com isso evitar grande pressão para o fim rápido desta violência armada.

Contudo, as informações paralelas dão conta de mortes em dezenas (mais de 3 dezenas). Isso mostra que ao governo interessa guerra em detrimento da paz. Fala da disposição de dialogar, mas promove paralelamente a carnificina de nossos filhos, irmãos, tios, pais.

Assim, é chegada a hora desta mesma sociedade civil mostrar o quão grande é e atenta, manifestando pacificamente até que a paz volte a sorrir em nosso país, Moçambique. É a mesma sociedade civil que deve fazer campanhas de educação cívica, mostrando ao eleitorado que deve votar consciente, elegendo em quem promoverá a sua dignidade humana, respeitar valores da moral. Deve sensibilizar o eleitorado a abster-se de votar em candidatos que se filiam nos discursos assentes na intolerância política, em atitudes que se mostram pró-atos da corrupção e vícios que denigre as sociedades moçambicanas.

 
Pedra pedra construindo novo dia

Milhões de braços, uma só força

Ó pátria amada vamos vencer

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