sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

CONFLITO POLÍTICO ECONÔMICO E MILITAR EM MOÇAMBIQUE: Que interesses estrangeiros são esses?

Esta a se tornar cultura na política e nas interações sociais moçambicanas culpar-se o Outro pelas nossas fraquezas/fracassos. A minha pobreza, insucesso é devido ao meu avó/avô, pai vizinho, colega que olha demais, enfeitiçou, fez ou não fez aquilo.
Damos pouca atenção às nossas práticas, atitudes, nossas escolhas que provavelmente podem atrapalhar nossos desejos, aspirações profissionais ou de busca pelas realizações.
Indo no objeto da nossa escrita é oportuno afirmarmos que Moçambique encontra-se mergulhado em desavenças políticas que estão a cristalizar a instabilidade política, militar e social. Perante a esta situação surgem vozes que apontam interesses estrangeiros como estando na ordem da nossa galopante desgraça social que se mostra através da exclusão, assassinatos, baleamentos, sequestros contra pessoas que têm visão e pensam diferente dos membros partidários do partido governamental em Moçambique.
Aqui não descartamos essa possibilidade, mas o cenário que nos salta às vistas e, que pode ser equivocado como não, mostra-nos o apego  de alguma elite política ao poder e vislumbra-se a tentativa de se criar o modelo chinês onde a economia e a administração política fluem em paralelo no permeio de um partido forte e único. Aponta uma minoria a controlar tudo e a todos.
Na nossa óptica, este modelo político pode ser na realidade moçambicana, viável se tomarmos em consideração o histórico cultural e social dos povos deste território chamado por Moçambique circunscrito ao gosto dos colonizadores europeus. O histórico cultural destes povos, segundo a nossa experiência como membros dessas sociedades é caracterizado pelos modelos administrativos territoriais e político de reinados, indunas, régulos com poderes absolutos. A cultura hierárquica onde o mais velho, o chefe, presidente (este em muitos casos significado como pai) ou qualquer dirigente se sobrepõe às vontades dos mais novos.
Esta prática, quando liderada, provavelmente, dentro de consensos, negociações onde todos ganham, poucos contestam o rei ou dirigente, mas em contrário torna-se perigoso quando esse sistema se apresenta com tendências de nepotismo, corrupção e totalitárias sem mínimo de respeito pelas liberdades dos indivíduos.
Ora vejamos que o cenário político actual chegou a uma ponto insuportável de intransigência, intolerância, exclusão e perseguições de opositores. É uma aventura perigosa um cidadão significar-se como membro de um partido da oposição na vida social de Moçambique. Corre-se o risco de ser queimado vivo, morto, preso sob pretexto de estar perturbar a tranqüilidade pública. Corre o risco de ser excluído, não ser promovido nas repartições públicas e estatais, etc.
Pela nossa experiência, a oposição política em Moçambique (Renamo), desde os acordos de Roma que colocaram fim à guerra civil criou pouco ruído que pudesse hipotecar a sua governação (da Frelimo) ou a instabilidade do país apesar de por lei possuir armas destinadas à segurança de sua liderança.
Por outro lado, o partido no poder, a Frente de libertação de Moçambique (Frelimo), sempre teve a maioria parlamentar, facto que a priori criou condições de governação sem grandes empecilhos. A oposição, desde as primeiras eleições multipartidárias esteve paciente em todo processo político e de governação da Frelimo, mesmo reclamando das fraudes eleitorais que até o cidadão menos participativo na vida política acredita ou pensa que sempre houveram.
Os anos se somam e o sujeito chega a um ponto em que já não agüenta mais. O sentimento de não ser parte do processo da edificação do país, excepto quando é para pagar os impostos, o coloca a levantar o tom da voz para repudiar, mesmo sabendo e tendo consciência de que por seu repúdio cairá sobre ele o chicote/cacetete, blindado/tanque de guerra, AKM47.
A história da democracia recente de Moçambique nos mostra que nenhum projecto político social da oposição parlamentar chegou a ser debatido em profundidade antes de ser chumbado pela maioria governista. Destaca-se que projectos da oposição aprovados em 2014 ocorreram em um ambiente da crise político militar.  Certamente que isso faz imergir sentimentos que apontam a exclusão de partidos com assento parlamentar e dos que votaram naqueles partidos.
Para agravar a situação, em todas as instituições públicas e estatais, a exclusão de indivíduos que pensam diferentes ou pertencem a partidos da oposição domina a ordem do dia. Poucos ou quase ninguém ousa se mostrar no aparelho estatal ou em público trajado de roupa ou signos que remetem a um partido da oposição. Idéias vindas dessa pessoa são afastadas humilhantemente.
Perante a este cenário descrito, pensamos que há necessidade de práticas que promovam a inclusão em Moçambique. Moçambicanos devem se sentir donos deste país, se sentirem parte do processo e não cidadãos da segunda ou terceira.
A inclusão, quando se torna uma palavra com distintos sentidos e conflitantes, onde os que estão do lado governamental, no lado do poder, bastando proferir a bom som que são inclusivos e tolerantes já basta e o são, torna o país instável, com muitos descontentes. Roberto Romano (2016), em um artigo publicado no jornal Zero Hora (ZH), ao reflectir em torno de escolha entre a moral e a disciplina partidária e baseando na citação de Merleau-Ponty, alerta referindo que “o membro da agremiação partidária não se preocupa com a sua moralidade pessoal, mas com a revolucionária. Importa não criticar o partido, o que fragiliza a organização e leva à perda de conquistas históricas. Na crise, a militância também estremece, a liberdade de cada um ameaça mortalmente a dos outros, a violência ressurge”.
Na defesa partidária e mediante a discursos pré-construídos pela cúpula do poder, a inclusão não significa exclusivamente integrar pessoas Outras na sua governação, aparelho diretivo, econômico, pois qualquer acção governamental que reflecte na sociedade sempre acaba abrangendo todos os moçambicanos e assim, não há motivo para alaridos.
Por outro lado, a inclusão significa a partilha do poder político, administrativo e econômico. A existência de um exército republicano que não cumpre ordens de um determinado partido político, mas sim o Estado. A existência de aparelho estatal sem ligações políticas e muito menos onde seus funcionários não sofrem coerção psicológica nem política. Este cenário caracterizado pelas posições e ideologias antagônicas coloca Moçambique a uma situação de instabilidade, assassinatos, baleamentos, sequestros e fuga de capitais.
Outro contexto que não pode deixar de merecer a nossa atenção reside no facto de se denotar haver rixa (disputas internas pelo poder) no seio do partido no poder, a Frelimo. Essa disputa que se visualiza em lutas internas pela busca de uma posição cômoda ou controle da máquina partidária e econômica e hipoteca o país no todo.
Lembra-se que o presidente actual de Moçambique e que também é do partido governamental é jovem e, este não provê diretamente da luta armada de libertação de Moçambique à semelhança dos seus antecessores. Seus antecessores são os caciques, os madalas/velhos veteranos da luta armada e que sempre governaram o país desde a independência nacional em 1975.
Estes, provavelmente trazem, ainda o ódio pela oposição antes inimiga militar na luta pela democracia/guerra civil entre 1977 à 1992. Há interesses em jogo pelo controle absoluto das riquezas do país entre os partidários governamentais e, também, estes contra a oposição que nunca deixou de ser inimiga mortal.
Destarte, pensamos que apesar de haver a possibilidade da existência de interesses estrangeiros, não consideramos oportuna estrangeirizar o conflito político e econômico em Moçambique. A instabilidade no país imerge e se consolida, a nosso ver, devido à intolerância, exclusão social, econômica e política.
Assim, devemos ser capazes e com coragem corrigirmos estas práticas que põem em causa a nossa dignidade humana, a paz e a estabilidade em Moçambique.

Lourenço E. Cossa

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

ESTRATÉGIA POLÍTICA E BALEAMENTO DE MEMBROS DA OPOSIÇÃO EM MOÇAMBIQUE

Pelo curso da vida social que se esta tornando normal em Moçambique, este caracterizado pelos baleamentos, assassinatos, exclusão, perseguição de membros da oposição, mediante a crise política e militar forçada de quem governa coloca este país como lugar instável para quem pensa e age diferente perante a visão do poder partidário governamental.
Dia vinte (20) de janeiro, na segunda maior cidade de Moçambique, Beira foi alvejado o Secretário Geral (SG) do segundo (2) partido político mais votado nas últimas eleições de 2014, Resistência Nacional de Moçambique (Renamo), o Manuel Bissopo, tendo morrido no local do atentado, o seu ajudante de campo crivado de balas.

Informações dão conta que este está gravemente ferido e encontrando neste momento em estado crítico. Por outro lado, a esta autoria são apontados oito (8) homens armados que bloquearam o carro deste (SG).
Lembra-se que ações desta natureza não são novas neste país pertencente ao bloco econômico africano da SADEC. Não passa de um ano de assassinato do Jurista Gilles Cistac depois deste provar que a pretensão da oposição em propor a autonomia das províncias do país não era inconstitucional.

Entre os últimos 365 dias foram assassinados ou baleados muitos membros da oposição, jornalista, dentre os quais destacamos delegados distritais Capece, Sergio e mais outros membros da Renamo mortos nos últimos trinta (10) dias, Carlos Jeque baleado e Paulo Machava, jornalista assassinado.  
Esta prática que se mostra através do derramamento de sangue entre os moçambicanos se mostra como estratégia política para intimidar, persuadir ou calar violentamente a voz dos que sonham por um Moçambique onde se respeite os direitos individuais, coletivos e políticos. Desta vez esta o Manuel Bissopo, o Secretário Geral da Renamo lutando para a vida devido à sua luta pela inclusão na construção de um país onde todos se sintam moçambicanos.